- O PMI da zona euro para abril ficou em 48,6, indicando contração, com o setor de serviços a marcar 47,4, o pior desde início de 2021.
- A guerra no Médio Oriente está a pressionar os custos de produção e a ampliar a inflação, conforme apontado pela S&P Global.
- A indústria transformadora subiu para 52,2, mas o aumento reflete encomendas de matérias-primas para fazer face a potenciais perturbações, não uma recuperação real da procura.
- O FMI cortou previsões de crescimento para a zona euro, de 1,4% em 2025 para 1,1% em 2026 e 1,2% em 2027, com a Alemanha a sofrer o maior recuo.
- O BCE enfrenta o dilema entre subir juros para combater a inflação ou suportar a economia, enquanto se avalia o impacto do conflito e da subida dos preços da energia.
A atividade empresarial na zona euro recuou acentuadamente em abril, com o PMI composto em 48,6, abaixo do 50 que separa crescimento de contração. O setor dos serviços marcou 47,4, o pior desde início de 2021. A guerra no Médio Oriente, envolvendo o Irão, empurrou custos para cima e alimentou a inflação.
A divulgação foi da S&P Global, em estimativas rápidas. O recuo interrompeu a recuperação prevista para 2025, e o indicador aponta para uma possível queda do PIB no curto prazo. A confiança empresarial atingiu mínimos desde o fim de 2022, agravando as perspetivas económicas.
A indústria transformadora registou ganho técnico, com o PMI industrial a subir para 52,2 e o índice de produção a atingir oito meses. No entanto, este aumento prende-se com encomendas de matérias-primas e stock de segurança, não com a procura real.
O atraso nas entregas dos fornecedores atingiu níveis máximos desde julho de 2022, consequência direta das perturbações na cadeia de abastecimento. Especialistas alertam para uma estagflação, com custos de inputs a subir a ritmo acelerado.
Perspetivas económicas e impacto externo
O FMI reduziu as previsões de crescimento para a área do euro, estimando 1,1% em 2026 e 1,2% em 2027. A maior revisão recaiu sobre a Alemanha, seguida pela Espanha e pela França, refletindo impactos do conflito no Médio Oriente e da energia mais cara.
A leitura de abril coloca o BCE num dilema: subir ou manter as taxas diante de inflação elevada e risco de recessão. Analistas indicam probabilidade elevada de ajuste de política em 2026, mas sem confirmar diretrizes.
Orientações futuras e cenários
A Goldman Sachs sustenta que o choque atual difere do de 2022/23, com impacto marcado pela energia, mas menos severo e mais distribuído. A instituição aponta uma redução prevista da produção industrial da zona euro até 2027, inferior a choques anteriores.
A Comissão Europeia pode explorar fundos europeus não desembolsados para financiar a modernização energética e redes, como forma de mitigar impactos na indústria e na competitividade. A medida dependeria de decisões políticas e de regulamentos.
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