- A Viagem Medieval da Feira terminou 2025 com um prejuízo de 160.515 euros, devido a custos acima do orçamento e menos visitantes do que o previsto.
- A organização aponta que o apoio logístico do município não está contabilizado nestas contas, o que aumenta o encargo para os contribuintes de Santa Maria da Feira.
- Foram vendidos 238.636 bilhetes, abaixo da meta de 250 mil, o que contribuiu para o défice, apesar de a Feira Viva ter registado volume de negócios superior a sete milhões de euros e um pequeno superavit.
- O presidente da Feira Viva admite que o modelo depende fortemente da bilheteira e que resultados podem variar por fatores como condições meteorológicas, apesar de existirem mais de 20.000 entradas gratuitas anualmente para famílias carenciadas, bombeiros e estudantes.
- A Câmara Municipal prevê um aumento médio de cerca de um euro no preço dos bilhetes e pulseiras da edição de 2026, para refletir a atualização de contexto.
A vereação socialista da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira mostrou-se preocupada com o prejuízo na edição de 2025 da Viagem Medieval, a maior recriação histórica da região, organizada pela Feira Viva. O saldo negativo, superior a 160 mil euros, deverá influenciar o preço dos bilhetes este ano.
Segundo o relatório de contas da autarquia, o evento registou menos visitantes do que o previsto e custos acima do orçamento, o que aumentou o encargo para os contribuintes.
A análise aponta uma contribuição logísticas não contabilizada que pode agravar o défice final, já que a maior parte do apoio é sustentada pela Câmara.
A avaliação aponta ainda que o défice decorre de uma política de tarifário contida sem contrapartidas orçamentais, e de um desempenho aquém da meta de bilheteira. Foram vendidos 238.636 bilhetes, face a 250 mil desejados.
Apesar disso, o conjunto da Feira Viva teve volume de negócios acima de sete milhões de euros, com um excedente de 44.268 euros, segundo o relatório.
O representante socialista alerta para a dependência de dois eventos: a Viagem Medieval e o parque Perlim, que juntos respondem por mais de metade da faturação.
Numa entrevista à Lusa, o diretor-geral da Feira Viva, Paulo Sérgio Pais, sustenta que o evento é cultural e estratégico, com forte impacto económico no território. O retorno estimado supera os 20 milhões de euros por ano.
Paulo Sérgio Pais destaca que o projeto inclui muitas ofertas, com mais de 20 mil entradas gratuitas a famílias carenciadas, bombeiros e estudantes, o que representa um investimento superior a 200 mil euros.
O responsável afirma que o modelo de gestão é de equilíbrio e que edições com défice podem ser compensadas por outras.
A Câmara Municipal aprovou o relatório de contas de 2025 com sete votos a favor, do PSD, três contra do PS e uma abstenção do Chega. O executivo salientou um saldo de 14,1 milhões de euros, com investimento acima dos 50 milhões.
O texto também ressalta a redução da dívida em mais de 1,5 milhões e o pagamento a fornecedores num prazo médio de seis dias.
Para o próximo ano, está prevista uma atualização tarifária: entre 29 de julho e 9 de agosto de 2026, os bilhetes deverão subir, em média, cerca de um euro.
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