- FMI afirma que este é o momento de Portugal usar a margem orçamental criada, devido ao conflito no Médio Oriente e à subida dos preços dos combustíveis.
- Alfred Kammer elogia a redução da dívida pública portuguesa e defende que há espaço orçamental temporário, com apoios que devem ser “one-off” para manter a trajetória de redução da dívida.
- O FMI prevê um défice de 0,1% do PIB em 2026, enquanto o Governo admite a possibilidade de rever o excedente de 0,1% para este ano devido às tempestades e ao conflito no Médio Oriente.
- O Executivo já aprovou um pacote de apoios ante o mau tempo e implementou medidas para enfrentar o aumento do ISP por causa da guerra no Irão.
- O FMI projeta dívida pública de 85,6% do PIB em 2026, crescimento de 1,9% este ano e 1,8% em 2027, com impacto do conflito entre -0,2% a -0,3% para Portugal.
Alfred Kammer, diretor da Europa do FMI, afirmou que o momento é oportuno para Portugal recorrer à margem orçamental criada pelo país. Em declarações à Lusa, destacou a importância de usar esse espaço diante do novo choque provocado pelo conflito no Médio Oriente.
O responsável do FMI elogiou o desempenho de Portugal na redução da dívida pública, permitindo maior robustez frente a choques externos. Considerou que a trajetória de ajustamento tem sido positiva e que a margem orçamental pode ser utilizada de forma pontual.
Kammer descreveu a situação financeira de Portugal como uma “história de sucesso”, sublinhando que o espaço disponível deve permanecer limitado a medidas temporárias. A previsão é de que o país mantenha uma trajectória de redução da dívida, ainda que com espaço para ajustes pontuais.
Perspetivas fiscais e cenários
O FMI projeta um défice de 0,1% do PIB para 2025. O Governo, por seu turno, estimava um excedente de 0,1% para este ano, mas sinalizou a possibilidade de rever esse valor devido às tempestades e ao conflito regional.
O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, reconheceu o risco de défice, mantendo-o abaixo de 0,5% do PIB. O objetivo é manter o país em linha com margens de manobra sem comprometer a disciplina orçamental.
O Executivo já aprovou um pacote de apoios após eventos climáticos extremos entre janeiro e fevereiro, além de ter implementado medidas para mitigar a subida dos preços dos combustíveis associada ao conflito iraniano, incluindo um desconto no ISP.
Déficit, dívida e crescimento
O FMI antecipa uma redução progressiva da dívida pública, estimando 85,6% do PIB em 2026, 82,2% em 2027 e 75,5% em 2030. Em termos de crescimento, prevê 1,9% para este ano e 1,8% em 2027.
Kammer advertiu que o impacto da guerra no Irão poderá significar uma perda entre 0,2% e 0,3% do PIB entre este ano e o próximo. O responsável reforçou que Portugal depende fortemente de energias renováveis e que o efeito será ajustado pela composição económica do país.
Para o FMI, manter a trajetória de redução da dívida continua a ser prioridade, com as medidas de apoio a serem usadas de forma temporária e bem calibrada para evitar novas vulnerabilidades. O relatório Fiscal Monitor acompanha a evolução destas contas.
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