- A entrega dos jornais Jornal de Notícias e O Jogo, suspensa pela Notícias Direct, vai ser reposta progressivamente a partir de segunda-feira, com uma operação de emergência da Notícias Ilimitadas.
- A NI vai propor aos subscritores contratos diretos, pedindo que cedam o crédito que têm sobre a Notícias Direct, para assumir a entrega imediata e cobrar esse dinheiro à distribuidora.
- A NI vai ainda avançar com uma ação judicial contra a Notícias Direct para cobrar centenas de milhares de euros em faturas vencidas, incluindo cerca de 400 mil euros de assinaturas pagas antecipadamente que não entraram nos cofres da editora.
- A inovação operacional inclui as revistas Volta ao Mundo e JN História, mantendo o leitor no centro da estratégia e assegurando que quem pagou recebe o produto.
- A divergência entre NI e ND envolve alterações contratuais e descontos: ND acusa redução de desconto de 70% para 50% como inviável; a NI afirma que o ajuste está dentro de práticas de mercado e que os 50% permanecem acima de referências do setor.
A entrega do Jornal de Notícias (JN) e de O Jogo será retomada já na próxima segunda-feira, após a suspensão do serviço de distribuição pela Notícias Direct (ND). A Notícias Ilimitadas (NI) montou uma operação de emergência para reverter a paralisação, que afetou milhares de assinantes.
A ND, do Global Media Group e ligado ao empresário Marco Galinha, deixou de distribuir os jornais de um dia para o outro, num contexto de negociações sobre a aquisição da própria distribuidora. A NI afirma que a decisão foi súbita e prejudicou leitores que confiam nestas marcas.
A NI revela que, para proteger os leitores, irá honrar todas as assinaturas, mesmo aquelas pagas antecipadamente à ND, num montante estimado em cerca de 400 mil euros. O objetivo é entregar o produto aos assinantes sem qualquer custo adicional.
A estratégia envolve nova relação contratual direta com os assinantes. A NI propõe que os leitores cedam o crédito sobre a ND pelos exemplares já pagos, permitindo à NI assumir a entrega imediata e cobrar o valor à distribuidora mais tarde.
No terreno, os distribuidores mostraram abertura, descrevendo-se defraudados pelos atrasos de pagamento da ND, que já se estendem há mais de um ano. A NI prevê, para segunda-feira, uma ação judicial para cobrar centenas de milhares de euros às mesmas partes.
A ação visa faturas emitidas pela NI relativas ao fornecimento de jornais e serviços de distribuição, já vencidas. Observa-se também que a ND pode reter cerca de 400 mil euros de assinaturas pagas adiantado, segundo informações divulgadas pela NI.
A NI critica o monopólio no setor, alegando que cria ineficiências e dependência prejudicial. Norberto Moreira, administrador e diretor financeiro, afirma que a leitura fiel dos leitores é essencial para a empresa e que conflitos de terceiros não devem prejudicar esse vínculo.
A ND, por sua vez, atribui a suspensão a alterações contratuais introduzidas pela NI. A mudança envolve a redução do desconto aplicado às publicações, de 70% para 50% sobre o preço de capa, o que a ND considera inviável. A NI sustenta que o desconto de 70% era resultado de um modelo interno anterior à venda, e propõe descontos entre 25% e 30% para os parceiros comerciais, mantendo 50% acima do padrão do setor.
No seguimento do impasse, o deputado Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, questionou o Governo sobre o impacto da suspensão no direito à informação e na implementação de apoios previstos no Plano de Ação para a Comunicação Social.
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