- O BCE manteve as taxas de juro diretivas inalteradas na reunião de março, com a taxa de juro da facilidade permanente de depósito a 2,00%.
- As taxas de operações principais de refinanciamento e da facilidade permanente de cedência de liquidez ficaram em 2,15% e 2,40%, respetivamente.
- O BCE aponta que a guerra no Médio Oriente aumenta a incerteza e pode provocar subida da inflação e atraso no crescimento económico.
- Os preços de energia subiram após os ataques iranianos, com o gás natural a valorizar-se acima de 74 euros por megawatt hora e o Brent a superar os 119 dólares por barril.
- O mercado reagiu com abertura em queda, mas o euro subiu; as perspetivas de política monetária apontam, no imediato, mantendo-se as taxas e avaliando futuros movimentos para o final do ano.
O Banco Central Europeu manteve as taxas diretoras inalteradas na reunião de março, mantendo a taxa de depósito em 2% e as outras duas taxas em 2,15% e 2,4%. A medida surge num contexto de subida dos preços da energia e de riscos para a inflação.
Segundo o BCE, a guerra no Médio Oriente intensificou a incerteza económica, com potenciais impactos de subida da inflação e de descida do crescimento. O banco destaca o efeito direto na energia e a incerteza sobre o desempenho económico a médio prazo.
No momento da decisão, os futuros do gás natural europeu subiram acima de 30%, atingindo níveis não vistos há mais de três anos. O Brent superou os 119 dólares por barreil e o WTI ultrapassou os 96 dólares, após ataques iranianos a infraestruturas energéticas.
Economistas alertam que custos elevados por vários meses podem manter pressão inflacionista e atrasar qualquer flexibilização até 2027. Este cenário mantém as perspetivas de política monetária mais cautelosas.
A reação dos mercados foi de abertura em baixa para as ações europeias, com o euro a subir e rendimentos de dívida a aumentarem modestamente. As famílias e empresas da zona euro devem continuar com as mesmas condições de crédito por agora.
Os contratos do mercado monetário já incorporam a possibilidade de uma ou duas subidas de juros no final do ano, em vez de cortes que se pensavam ver nos meses recentes. O BCE mantém o foco numa trajetória de convergência para os 2% a médio prazo.
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