- Sete organizações ambientalistas alertam que o sisão está em risco de extinção a curto prazo em Portugal, com a população reduzida em noventa por cento nos últimos vinte anos, segundo o 4.º Censo Nacional de Sisão que aponta cerca de 1 736 machos.
- Afirmam que, sem medidas urgentes do Governo, Portugal irá testemunhar a extinção desta ave, e criticam o não cumprimento da Directiva Aves da União Europeia.
- O sisão depende de sistemas agrícolas extensivos e de habitats abertos, nidifica no solo e é particularmente vulnerável à intensificação agrícola, nomeadamente pela transição de cereais para culturas permanentes (amendoal, olival) e pela redução de pousios.
- Os representantes destacam que a intensificação da pastagem e a diminuição das áreas de cereal contribuíram para o colapso da população, para além de riscos acrescidos causados por linhas elétricas.
- Propõem um plano de emergência interministerial com participação de agricultores, universidades e outros agentes locais, incluindo proteção de áreas de reprodução, promoção de áreas cerealíferas e pousios, melhoria de medidas agroambientais, ordenamento de infraestruturas energéticas, limitação do regadio em zonas críticas e criação de uma rede de reservas e de um programa de reprodução em cativeiro.
O sisão está em risco de extinção em Portugal, segundo um conjunto de sete organizações ambientalistas. O alerta baseia-se no 4.º Censo Nacional de Sisão, divulgado nesta sexta-feira, que aponta queda acentuada da população. O estudo estima 1736 machos no país, indicador de declínio rápido.
As organizações — SPEA, LPN, WWF-Portugal, Palombar, FAPAS, GEOTA e Zero — avisam que sem medidas urgentes o país assistirá à extinção da espécie no curto prazo. O documento ressalva a gravidade do cenário e a urgência de agir.
Para os signatários, é incompreensível que o Estado persista sem ações eficazes de conservação, falhando, segundo eles, as obrigações sob a Diretiva Aves da UE. O sisão, antes comum nas planícies alentejanas, tornou-se pouco observado.
Fatores de risco e hábitos
O texto destaca que o sisão depende de sistemas agrícolas extensivos e de habitats abertos, nidificando no solo. A intensificação agrícola aumenta a vulnerabilidade da espécie durante a reprodução.
A substituição de culturas de cereal em extensivo por culturas permanentes, como amendoal e olival, assim como o pastoreio intensivo e a redução de pousios, agravam a degradação de áreas de nidificação.
A degradação afeta também outras aves estepárias prioritárias, como a abetarda e o tartaranhão-caçador, que registam quedas acentuadas em paralelo com o sisão. Linhas elétricas elevam ainda a mortalidade.
Medidas propostas
Os ambientalistas defendem um plano de emergência interministerial com participação de agricultores, universidades e agentes locais. A ideia é proteger áreas de reprodução e promover pastagens cerealíferas e pousios.
Propõem melhorar as medidas agroambientais, valorizar a produção nacional e reorganizar infraestruturas energéticas. Também sugerem limitar o regadio em zonas críticas e criar redes de reservas naturais.
Outra proposta é um programa de reprodução em cativeiro, com devolução à natureza, para reforçar a população no terreno. A redução da área de cereais desde os anos 80 acompanha o colapso observado.
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