- Portugal tem hoje 2.187 ultrarricos (património superior a 25 milhões de euros), um aumento de quase 50% face a há cinco anos (1.462 em 2021).
- A maioria destes ultrarricos são estrangeiros que vivem ou investem em Portugal, atraídos pela qualidade de vida, clima, segurança e regimes fiscais passados, como os vistos gold e o regime de Residente Não Habitual.
- O fim do regime RNH e as mudanças nos vistos gold não devem impedir, a médio prazo, o interesse internacional, embora possam atenuar parte da procura.
- Também existem muitos ultrarricos portugueses, principalmente empresários, com foco na proteção de património, fiscalidade e sucessão, impulsionados por venda de empresas e influxos de capital de risco.
- Portugal destaca-se no imobiliário de luxo e em branded residences, com Lisboa e Cascais a emergirem como mercados europeus de referência; compradores estrangeiros procuram imóveis de alto valor e zonas premium como Lisboa, Cascais, Comporta e Algarve.
Portugal tem hoje 2.187 ultrarricos, um aumento de quase 50% face a 2021, segundo o Índice Imobiliário Internacional (PIRI) da Knight Frank, publicado em abril. O estudo conta indivíduos com património superior a 25 milhões de euros, ou 30 milhões de dólares no relatório original.
A escalada não é apenas de estrangeiros: muitos ultrarricos são também portugueses, sobretudo empresários. O aumento acompanha a atratividade de investir no imobiliário de luxo e a proteção de património, conforme explica Helena Seruca, da banca privada do Banco Carregosa, à Euronews.
Segundo a análise, o período pós-pandemia trouxe criação de nova riqueza, com venda de empresas e entrada de capitais de fundos de private equity a impulsionar fortunas. Bruno Minoya Perez, da mesma instituição, descreve casos em que uma única operação pode gerar dezenas de milhões.
Os fundos de private equity têm sido determinantes para o crescimento do grupo UHNWI em Portugal, desequilibrando parcialmente a relação entre proprietários e mercados. Donos de empresas vendem participações para financiar expansão ou novas entradas, com exemplos de setores como panificação e serviços jurídicos.
Entre os fatores que atraem estes investidores contam-se o custo de oportunidade, a qualidade de vida, o regime fiscal (ainda que com mudanças) e a possibilidade de investir em imóveis de luxo em zonas premium. Destacam-se cidades como Lisboa, Cascais, Comporta e o Algarve.
O peso imobiliário de luxo
O setor imobiliário de luxo opera com faixas de preço elevadas: a gama alta aproxima-se de 11 mil euros por m², com imóveis ultraluxos em localizações como Cascais e o triângulo dourado do Algarve. O mercado é dominado por clientes estrangeiros, ainda que haja portugueses relevantes no ultraluxo.
No segmento ultraluxo, Portugal mantém uma participação de cerca de 35% de proprietários nacionais, segundo a Christie’s International Real Estate, com estrangeiros a representar a maior fatia. Norte-americanos e brasileiros aparecem entre os compradores mais ativos.
Lisboa e Cascais no epicentro europeu
Dados da Christie’s indicam que Lisboa e Cascais respondem por mais de 26% da oferta europeia de luxo. Cascais surge como um dos mercados mais representados na Europa, superando cidades como Londres e Madrid em determinados rankings.
A aposta em marcas hoteleiras associadas a residências, as chamadas “branded residences”, explica parte do dinamismo. Portugal já lidera este segmento na Europa, com cerca de 1.200 unidades, representando entre 30% e 50% do mercado de luxo.
Perspetivas para o médio prazo
O relatório estima que, em 2031, o número de ultrarricos em Portugal deve chegar a 2.452. A mobilidade de riqueza, com o estilo “dip-in, dip-out”, continua a justificar o crescimento, associando residência temporária a oportunidades de investimento.
Para o setor financeiro, a tendência é de maior acessibilidade a produtos como private equity e ações, via plataformas digitais. O mercado português mantém-se, assim, como destino relevante no mapa global do imobiliário de luxo.
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