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Associação alerta para acelerar integração do biometano na rede nacional

ATMAS defende acelerar a integração do biometano na rede nacional para complementar a eletricidade e reduzir custos da transição, visando a eventual substituição de 60% do gás natural

Foto: Neil Hall / EPA
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  • A ATMAS alerta para acelerar a integração do biometano na rede nacional, posicionando-o como complemento à eletricidade e como forma de conter custos da transição energética.
  • O diretor-executivo Gonçalo Salazar Leite afirma que a rede de gás existente pode receber biometano sem alterações e pode, a prazo, substituir até sessenta por cento do gás natural injetado no sistema.
  • A associação sustenta que aproveitar a redistribuição de gás e apostar no biometano custará ao contribuinte um terço do que significaria eletrificar toda a energia final.
  • Defende uma visão de complementaridade entre vetores energéticos, mantendo a eletricidade como principal vetor e evitando eletrificar tudo por custos para o consumidor, indústria e economia.
  • O Plano de Ação para o Biometano aponta para 2,7 TWh em 2030; já existem três unidades em funcionamento, com mais de cinquenta projetos identificados pelo LNEG e cerca de setenta sinalizados pela ATMAS. Uma unidade em produção já abastece um terço dos concelhos de Évora, Beja, Olhão e Portimão.

Em Portugal, a nova associação para os gases renováveis (ATMAS) defende acelerar a integração do biometano na rede nacional de gás, encarando-o como complemento à eletricidade e ferramenta para conter custos na transição energética. A proposta surge num contexto de debate sobre o futuro do sistema energético.

Em entrevista à Lusa, o diretor-executivo da ATMAS, Gonçalo Salazar Leite, afirma que a rede de gás existente pode receber biometano sem alterações e que este gás pode, a prazo, substituir até 60% do gás natural injetado no sistema.

O dirigente acrescenta que a integração dos gases renováveis deve ser encarada como complementaridade entre vectores energéticos, não como substituição da eletricidade. A eletricidade continuará a ser o principal vetor, mas não é possível eletrificar tudo sem custos para o contribuinte e a indústria.

A ATMAS foi dinamizada inicialmente por operadores das redes de distribuição de gás e já conta com 10 associados; até ao final do ano pretende integrar pelo menos mais dez. A associação defende que o biometano pode chegar à indústria, aos serviços e aos consumidores domésticos.

Potencial e prioridades

Gonçalo Salazar Leite aponta que a indústria, em especial os setores intensivos em energia térmica, é prioritária, citando cerâmica e vidro como exemplos de custos de electrificação elevados. O papel do setor doméstico é igualmente relevante para a acessibilidade da energia.

Segundo o responsável, o Plano de Ação para o Biometano, com meta de 2,7 TWh até 2030, é realizável, desde que haja maior rapidez na implementação. Entre as prioridades, destacam-se simplificação normativa, mecanismos de mercado e maior diálogo entre intervenientes.

Atualmente existem três unidades de biometano em funcionamento em Portugal, com mais de 50 projetos potenciais identificados pelo LNEG e mais de 70 unidades sinalizadas pela ATMAS que poderão avançar a curto prazo. Uma unidade já em produção abastece cerca de um terço de concelhos de Évora, Beja, Olhão e Portimão com gás renovável.

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