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Cascais usa satélites e IA para travar alga invasora

Cascais testa sistema que usa satélite e inteligência artificial para antever chegada da alga asiática Rugulopteryx okamurae e orientar ações de gestão costeira

As algas *Rugulopteryx okamurae* têm invadido as praias portuguesas
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  • A Câmara Municipal de Cascais vai testar o sistema EO4RO para prever a chegada da alga asiática Rugulopteryx okamurae, num piloto de doze meses.
  • O consórcio envolve GMV Portugal e Plymouth Marine Laboratory, utilizando imagens de satélite, dados oceanográficos, previsões meteorológicas e inteligência artificial.
  • O objetivo é antecipar surtos de crescimento e simular o transporte pela corrente e pelo vento, emitindo alertas automáticos para autoridades e comunidades.
  • A iniciativa pretende melhorar a gestão costeira, reduzindo custos públicos e impactos na pesca e no turismo provocados pela alga invasora.
  • Em caso de sucesso, Cascais pode tornar-se modelo europeu de gestão costeira inteligente, com o algoritmo replicável do Algarve às Canárias, ou do Mediterrâneo ao Atlântico Norte.

Cascais vai testar um sistema que prevê a chegada da alga asiática às praias, usando imagens de satélite, dados oceânicos e IA. A iniciativa pretende antecipar surtos e orientar a gestão costeira. O projeto tem duração de 12 meses.

A Câmara Municipal de Cascais financia a solução EO4RO, Earth Observation for the Mapping and Monitoring of Rugulopteryx okamurae. O consórcio envolve a GMV Portugal e o Plymouth Marine Laboratory, no Reino Unido, para desenvolver o sistema.

A alga Rugulopteryx okamurae, capturada pela primeira vez no Mediterrâneo, avança pelo Atlântico e coloca em risco a biodiversidade marinha, a atividade pesqueira e o turismo balnear. Até agora a resposta tem sido principalmente reativa.

Olhar o mar através do espaço

O sistema prevê a chegada dos indivíduos da alga antes de invasões significativas, cruzando imagens de satélite com dados oceanográficos, previsões meteorológicas e IA. O objetivo é simular o transporte pela corrente e pelo vento.

A plataforma poderá emitir alertas automáticos para autoridades locais e populações ribeirinhas, ajudando a orientar operações de remoção e estratégias de proteção ambiental. A abordagem é similar à monitorização de derrames e de fenómenos climáticos extremos.

A utilidade prática do projeto passa pela redução de custos públicos e pela minimização de impactos nas comunidades ligadas ao mar. Pescadores têm já reclamado danos nas redes e interrupções na atividade.

Perspetivas de implementação

Nuno Piteira Lopes, presidente da Câmara Municipal de Cascais, afirma que a parceria mostra o valor da cooperação entre ciência, tecnologia e governo local para responder a problemas ambientais emergentes. O município pretende manter-se na linha da inovação aplicada ao litoral.

Caso o piloto seja bem-sucedido, Cascais poderá tornar-se num modelo europeu de gestão costeira inteligente e replicar o algoritmo em outras regiões vulneráveis, desde o Algarve às Canárias, ou do Mediterrâneo ao Atlântico Norte.

Filipe Brandão, gestor de projeto da GMV Portugal, sublinha que a iniciativa aplica tecnologia avançada a um problema concreto com impacto económico e ambiental. O objetivo é prever o problema com antecedência para reduzir custos e proteger o ecossistema costeiro.

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