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Mundo à beira de ruptura: a mancha fria no Atlântico é má notícia

Estudo associa o Cold Blob ao enfraquecimento da circulação meridional de retorno do Atlântico (AMOC), indicando impactos climáticos na Europa e alterações no tempo

No Atlântico Norte existe uma zona fria, o chamado "cold blop" - imagem ilustrativa
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  • Novo estudo liderado pelo professor Stefan Rahmstorf, do Instituto de Potsdam para a Investigação do Impacto Climático, analisa o chamado “Cold Blob” no Atlântico Norte, sul da Gronelândia, o único lugar do planeta que tem arrefecido nas últimas décadas.
  • Conclusão: é sobretudo o enfraquecimento do transporte de calor devido à circulação meridional de retorno do Atlântico (AMOC) que explica o arrefecimento observado.
  • Os investigadores alertam que um novo enfraquecimento da AMOC, no contexto de alterações climáticas, pode ter consequências graves para o clima e as condições meteorológicas na Europa e noutros lugares do mundo.
  • A AMOC é um vasto sistema de correntes oceânicas que move água quente para norte e água fria para sul; alterações na salinidade da água superficial podem reduzir a sua densidade e abrandar a circulação.
  • Questiona-se quando poderá ocorrer o ponto de rutura da AMOC; estudos anteriores indicam sinais de alerta e há um reconhecido risco, exigindo atenção urgente dos decisores políticos.

O Atlântico Norte alberga uma área conhecida como Cold Blob, uma mancha fria que tem registado quedas de temperatura nas últimas décadas. Um novo estudo analisa o fenómeno no âmbito do chamado Warming Hole, com foco na circulação AMOC.

A investigação, liderada pelo professor Stefan Rahmstorf do Instituto de Potsdam para a Investigação do Impacto Climático, foi publicada na Geophysical Research Letters. A equipa analisou dados de temperatura no Atlântico Norte para perceber as alterações no transporte de calor da região.

Segundo os autores, o arrefecimento observado é sobretudo explicável pela alteração na circulação de calor do oceano. O estudo destaca que um enfraquecimento adicional da AMOC, no contexto de alterações climáticas futuras, pode afetar o clima e as condições meteorológicas da Europa e de outras regiões.

A importância da AMOC

A AMOC, sigla para Atlantic Meridional Overturning Circulation, é um vasto sistema de correntes que move água quente para norte e água fria para sul. O seu papel central na distribuição de calor torna-a crucial para o clima global.

Os cientistas referem sinais de alerta precoce de aproximação da AMOC de um ponto de rutura e de um subsequente enfraquecimento. O documento sublinha a necessidade de atenção urgente por parte dos decisores políticos perante este risco.

Perspetivas futuras

Especialistas apontam que, num cenário de colapso parcial ou completo da AMOC, o impacto mais evidente seria no padrão de invernos no norte da Europa e no nível do mar na costa leste dos EUA. As previsões permanecem incertas, demandando mais investigação.

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