- Especialistas dizem que a recuperação do abastecimento de petróleo e gás no Irão e na região será lenta e pode levar meses, mesmo após o acordo para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.
- Navios carregados com petróleo bruto continuam encalhados no Golfo Pérsico há mais de três meses, e a volta à normalidade depende da obtenção de segurança, seguros e de operações no terreno.
- Os preços do petróleo recuaram após o anúncio, com o Brent a 83,89 dólares por barril e o petróleo bruto nos EUA a 80,85 dólares por barril, ainda assim acima dos níveis pré-guerra.
- A normalização exige que navios saiam do estreito, novos petroleiros entrem para carregar, e que produtores retomem a produção, incluindo estados que tinham volumes parados por falta de espaço de armazenamento.
- Países como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos podem ser mais rápidos a retomar a produção, enquanto o Iraque pode enfrentar mais dificuldades e demorar até cerca de um ano; o investimento no sistema energético mantém-se praticamente parado.
O fim da guerra no Irão e a reabertura do Estreito de Ormuz não vão eliminar de imediato os elevados preços do petróleo e do gás nem resolver os problemas de abastecimento de energia, dizem especialistas do sector. O acordo anunciado no domingo não garante uma recuperação rápida da logística global.
Navios com petróleo bruto continuam retidos no Golfo Pérsico há mais de três meses, devido à insegurança na passagem. A menor velocidade de transporte marítimo e de refinação, aliadas a incertezas sobre a segurança da passagem, indicam que qualquer alívio será gradual.
Segundo a análise de especialistas, manter o registo atual de preços depende de várias condições, incluindo a normalização da atividade de refinação, a reposição de equipamentos no terreno e a restauração de seguros para operações transfronteiriças.
Os preços do petróleo recuaram na manhã de segunda-feira após o anúncio do acordo. O Brent caiu para 83,89 dólares por barril, enquanto o referência nos EUA ficou em 80,85 dólares. Contudo, continuam acima dos cerca de 70 dólares antes do conflito.
Com o desenrolar da recuperação, os navios que ficaram retidos terão de sair do estreito e novos cargueiros terão de entrar para processar o carregamento. A janela de segurança necessária poderá demorar a aparecer.
A produção na região tende a restabelecer-se de forma gradual. Alguns produtores do Médio Oriente, com rotas alternativas, podem retomar primeiro a extração, enquanto outros, como o Iraque, podem enfrentar maiores dificuldades e demorar até um ano a regressar aos níveis anteriores.
O investimento no sistema energético, suspenso durante o conflito, deverá demorar anos a recuperar. A mobilização de capital para o setor não deverá acelerar rapidamente, à medida que as garantias de estabilidade no estreito se mantiverem incertas.
Instituições de pesquisa destacam ainda que a volta à normalidade depende de garantias de que o cessar-fogo é duradouro e de que a passagem no estreito se mantém estável por períodos significativos, antes de ampliar novamente as operações globais.
Não se prevê, no imediato, uma conclusão ou opinião sobre o desfecho estratégico. O foco permanece na recuperação operacional, na disponibilidade de capacidade de refino e no restabelecimento de fluxos comerciais seguros pelo Estreito de Ormuz.
Entre na conversa da comunidade