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Alergia grave à carne provocada por picadas de carraças: o que saber

A alergia à carne causada por picadas de carraças pode ser potencialmente fatal, com sintomas a surgir até seis horas após comer carne vermelha

IMAGEM DE ARQUIVO: Carraça estrela solitária fêmea adulta a rastejar numa lâmina de erva, em 2023.
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  • A síndrome alfa-gal é uma alergia à carne potencialmente fatal, desencadeada pela saliva de carraças que introduz o açúcar alfa-gal na corrente sanguínea.
  • Acarretada principalmente por carraças-transmissoras da doença de Lyme, sobretudo a Lone Star (nos EUA), sendo também associadas outras espécies na Europa.
  • Os sintomas podem aparecer até seis horas após comer carne vermelha ou derivados de mamíferos, podendo evoluir para erupções, prurido, problemas gastrointestinais e, em casos graves, anafilaxia.
  • O diagnóstico baseia-se em sinais clínicos e num teste de sangue para anticorpo IgE específico ao alfa-gal; é importante confirmar com avaliação médica.
  • O aumento de casos deve-se a maior sensibilização da população e à expansão da área de distribuição das carraças vetoras, bem como ao maior conhecimento sobre a síndrome entre profissionais de saúde.

As carraças são conhecidas por transmitir infeções graves, mas também podem provocar uma alergia potencialmente fatal à carne. A síndrome alfa-gal, associada a uma determinada carraça, tem vindo a ser diagnosticada com mais frequência nos últimos anos.

A alergia não resulta de uma bactéria ou vírus. Surge quando o sistema imunitário reage a um açúcar chamado alfa-gal presente na carne de mamíferos. A via de entrada pode ocorrer através da saliva das carraças que picam a pele.

Quando os anticorpos contra alfa-gal existem, a ingestão de carne vermelha pode desencadear uma reação alérgica. OHow da pele ao ser picada facilita a sensibilização do organismo.

Os sintomas costumam manifestar-se até seis horas após o consumo de carne vermelha. Pode haver erupção, coceira, distensão abdominal e, em casos graves, anafilaxia com dificuldade respiratória.

Alguns pacientes desenvolvem os sintomas semanas ou meses após a sensibilização. A gravidade pode piorar com o tempo, o que dificulta a ligação entre alimento e reação.

Aumento de casos deve-se à maior consciencialização entre profissionais de saúde e público. A distribuição da carraça Lone Star, principal vetor, tem-se expandido na América, com outras espécies também associadas.

O diagnóstico é feito através de uma análise de sangue para o anticorpo IgE, mas não deve ser o único critério. Sintomas reais precisam de confirmação clínica para evitar falsos positivos.

Em alguns doentes, a alergia pode diminuir com o tempo, entre 15% e 20% dos casos. Ainda assim, a prevenção passa por evitar novas picadas de carraça e carnes de mamíferos.

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