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Companhias aéreas admitem que meta de net zero até 2050 está distante

IATA admite que companhias aéreas estão longe de cumprir a neutralidade carbónica até 2050; produção de SAF continua abaixo de 1% e com avanços limitados

A indústria da aviação prevê já o incumprimento das metas estabelecidas em Boston em 2021
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  • A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) reconheceu que as companhias aéreas estão longe de cumprir a meta de emissões líquidas zero até 2050 sem o apoio de governos, reguladores, fabricantes e produtores de combustíveis verdes.
  • O SAF (combustível sustentável para aviação) representa menos de 1% do consumo atual, com produção prevista para 2026 de cerca de 2,4 milhões de toneladas, ainda abaixo do necessário.
  • A capacidade global de produção de SAF é de até nove milhões de toneladas por ano, mas grande parte fica subutilizada; existem 370 projetos com potencial de 20 milhões de toneladas até 2030, sobretudo nos países da América.
  • A IATA aponta atrasos na entrega de aeronaves pelos fabricantes e a falta de mudanças nos sistemas de gestão do tráfego aéreo como obstáculos significativos aos cortes de emissões, além da menor apetência de petroleiras por investimentos em renováveis.
  • Em abril, o transporte de passageiros caiu 3,4% face ao mesmo mês do ano anterior, com ocupação de 83,1%, registando quedas na América do Norte e Médio Oriente e aumento na Ásia-Pacífico e na Europa.

O setor da aviação continua longe de cumprir a meta de neutralidade carbónica até 2050, segundo a IATA. A associação, que reúne cerca de 370 companhias responsáveis por 85% do mercado, admite que é improvável chegar às emissões líquidas zero sem apoio externo. A declaração foi feita durante a assembleia-geral em Rio de Janeiro.

Willie Walsh, director-geral da IATA, destacou que é possível alcançar o objetivo, mas o caminho está afastado. A cooperação entre governos, reguladores, fabricantes e produtores de combustível é essencial para retomar o rumo. As críticas recaem sobre atrasos na entrega de aeronaves mais eficientes.

Progresso do SAF continua aquém do esperado

A IATA aponta que o combustível sustentável de aviação (SAF) representa apenas 0,8% do consumo atual. A produção deverá subir para 2,4 milhões de toneladas em 2026, frente a 1,9 em 2025 e 1,0 em 2024, ainda longe das metas.

A associação atribui o problema a políticas públicas mal coordenadas e ao baixo interesse de petrolíferas em investir em alternativas renováveis. Além disso, há desperdício de capacidade instalada que poderia gerar até 9 milhões de toneladas/ano de SAF.

Capacidade e cenários de mercado

Os projetos em funcionamento ou em desenvolvimento somam 370 unidades, com capacidade combinada de 20 milhões de toneladas até 2030. Para o futuro imediato, os países da América detêm 8 milhões de toneladas de SAF. A IATA diz que o trajeto para 65% da redução até 2050 está cada vez mais desafiante.

A volatilidade dos combustíveis e o contexto geopolítico recente, com tensões no Médio Oriente, aumentam a pressão para acelerar fontes renováveis. O SAF, criado a partir de resíduos e biomassa, pode reduzir as emissões de carbono em até 80% face ao querosene, mas enfrenta custos elevados.

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