- Em março de 2023, Ursula von der Leyen fez um discurso marcante sobre a relação UE-China, criticando políticas chinesas e defendendo uma abordagem de de-risking (redução de riscos).
- Passados mais de três anos, a Comissão tenta transformar palavras em ações para enfrentar a dependência da China e o aumento das importações baratas que afetam a economia europeia.
- Foram adotadas medidas como direitos aduaneiros adicionais sobre veículos elétricos chineses e iniciativas para reforçar produção interna, com debates sobre excluir Huawei e ZTE de infraestruturas críticas.
- As capitais não chegaram a um acordo sobre um uso mais amplo dos instrumentos de segurança económica nem sobre um novo instrumento de rastreio de investimento; surgiu também o défice comercial com a China, registando-se pela primeira vez, em 2025, deficiências em todos os países da UE.
- O principal entrave continua a ser a desunião entre Estados-membros e o receio de retaliações chinesas, o que dificulta uma política europeia mais firme, coordenada e eficaz.
Ursula von der Leyen lançou um aviso claro sobre a relação UE-China há mais de três anos, num discurso em março de 2023. O objetivo era orientar a estratégia europeia para evitar dependências excessivas e reconhecer riscos económicos e de segurança. Hoje, a presidente da Comissão tenta passar das palavras aos atos, enfrentando resistências entre os Estados-membros.
Na altura, a líder europeia apontou a China como uma parceira económica importante, mas com práticas que exigiam mudança. Desafios incluíam subsídios distorcidos, concorrência desleal, transferência forçada de tecnologia e o domínio de matérias-primas críticas. O discurso destacou a necessidade de uma abordagem de de‑risking para reduzir vulnerabilidades.
A perspectiva de maior proteção económica ganhou força à medida que as importações chinesas baratearam o produto europeu e afetaram empregos e fábricas. Mesmo sem uma decisão comum, o conceito de diversificação do comércio e de tornar a China menos dependente ganhou adesão entre alguns Estados, com variações significativas entre os países.
Desunião entre Estados-membros
A União Europeia continua sem consenso sobre o que significa, na prática, de-risking. Alguns governos passaram a exigir que empresas privadas suportem parte dos riscos, enquanto a Comissão pedía poderes maiores para controlar exportações sensíveis. O défice comercial com a China atingiu níveis recorde em 2025, segundo dados de Bruxelas.
Medidas e instrumentos à prova
A Comissão Europeia impôs direitos aduaneiros adicionais sobre veículos elétricos chineses após um processo que dividiu posições entre Estados. Espanha mudou de posição, e a Alemanha manteve uma linha mais firme ao longo do processo. Paralelamente, foram anunciadas iniciativas para reforçar a produção interna em setores estratégicos e excluir a Huawei e a ZTE de determinadas infraestruturas.
No terreno, a estratégia de segurança económica da UE ganhou e perdeu protagonismo conforme a complexidade política interna. O Instrumento Anti-Coerção (ACI) manteve-se como ferramenta em curso, com a Autoridade a observar as reações chinesas a ações da UE. Diplomatas reconhecem que Pequim tem preparado respostas mais duras em caso de reforço das medidas europeias.
Olhar para o futuro
As autoridades europeias esperam que o défice comercial cresça menos com uma estratégia mais robusta e ações com consequências. A linha de von der Leyen defende diálogo com resultados, competição justa e acesso recíproco ao mercado chinês, adaptada a uma visão global de política económica. O caminho, porém, mantém-se complexo e politicamente sensível.
Em privado, diplomatas apontam que o receio de retaliações de Pequim é o principal obstáculo à unidade entre os 27. Mesmo assim, reconhecem que o diagnóstico da líder europeia permanece válido: a relação com a China envolve riscos que vão além do económico, exigindo coordenação e decisão política firme.
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