- A China acusou os EUA de distorcerem factos após Marco Rubio dizer que a censura não apaga a memória da repressão na Praça Tiananmen.
- Em 4 de junho de 1989, tropas e tanques foram enviadas a Pequim para reprimir protestos por reformas políticas; o número de mortos continua desconhecido.
- O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que as observações norte‑americanas difamam o sistema político e interferem nos assuntos internos.
- Este ano, as autoridades impediram famílias de vítimas de visitarem túmulos no Cemitério Wan’an; a Amnistia Internacional chamou a medida de desumana.
- Em Hong Kong, houve forte presença policial no Victoria Park durante as vigílias, com detenções e revistas a ativistas; sete pessoas foram detidas para investigação adicional.
O governo chinês criticou os Estados Unidos por distorção de factos e desvalorização do sistema político chinês, após o secretário de Estado norte-americano afirmar que a censura não apaga a memória da repressão na Praça Tiananmen. A declaração ocorreu numa altura em que se discutem ainda as consequências daquele episódio de 1989.
Registaram-se reacções oficiais de Pequim na quinta-feira, com a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros a vincar que o Governo chinês tem uma leitura firme sobre o sucedido no final da década de 1980. A porta-voz afirmou que as observações norte-americanas contradizem a história e interferem nos assuntos internos da China.
A importância do episódio permanece sensível na China, onde as autoridades censuram parte da discussão pública e evitam divulgações oficiais sobre o número de mortos. O regime descrevia a adesão aos protestos como um motim contrarrevolucionário, justificando o recurso à força para restaurar a ordem, segundo a versão estatal da altura.
Controvérsia e direitos humanos
Este ano, autoridades impediram visitas de famílias de vítimas ao Cemitério Wan’an, em Pequim, o que foi qualificado pela Amnistia Internacional como ato desumano. As forças de segurança mantêm o controlo sobre a narrativa histórica do episódio, com divergências entre estimativas de mortos que vão de 200 a 300 até acima de 2.000 em algumas fontes.
Presença policial em Hong Kong
Nos últimos dias, Pequim tem limitado comemorações públicas em Hong Kong, onde vigílias ligadas à memória da data eram comuns antes da lei de segurança de 2020. Em Victoria Park, a polícia manteve forte presença, com bloqueios rodoviários e vigilância de ativistas, incluindo intervenções a ativistas perto de locais de reunião.
Diversos ativistas foram detidos ou submetidos a investigações, com relatos de intervenção policial durante a vigília. Uma antiga líder de um grupo pró-democracia foi levada para uma carrinha, após caminhar com uma rosa amarela na mão, símbolo associado à memória do evento na cidade.
Alguns cidadãos deslocaram-se ao parque para honrar as vítimas, incluindo pessoas que viajam do continente para prestar respeitos. Entre os relatos estão testemunhos de quem descreve a data como marcante para a defesa de direitos democráticos e liberdade de expressão.
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