- A Alemanha recebeu 104 votos na eleição para o Conselho de Segurança da ONU, ficando atrás de Portugal (134) e da Áustria (131).
- A decisão de entrar no Conselho de Segurança não permanente ficará com Portugal e com a Áustria a partir de 1 de janeiro de 2027, por dois anos.
- O ministro dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, atribuiu a derrota a uma campanha nos bastidores da Rússia contra a candidatura alemã.
- Ekkehard Griep aponta ainda para críticas à posição alemã em conflitos, destacando acusações de dois pesos e duas medidas entre Hamas e Israel.
- Entre os fatores debatidos estão a campanha alemã ter arrancado mais tarde e o possível debate sobre o financiamento da Alemanha às Nações Unidas.
A Alemanha recebeu 104 votos na eleição para o Conselho de Segurança da ONU, ficando fora do mandato não permanente. A votação ocorreu em meio a debates sobre influências externas, alegações de dois pesos e duas medidas e a candidatura alemã tardia.
Os responsáveis políticos relacionam o resultado com vários fatores. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, afirmou que a Rússia atuou nos bastidores contra Berlim, dificultando a obtenção de apoio necessário. O Kremlin negou intervenção direta, mas a declaração foi dada à Reuters.
Confrontada com a derrota, a Alemanha ficou atrás de Portugal, com 134 votos, e da Áustria, com 131, que asseguram assentos para 2027-2029. A vitória de Portugal e da Áustria destaca o atual alinhamento de países europeus ocidentais na agenda do órgão.
Análise e cenários
Ekkehard Griep, presidente da Sociedade Alemã para as Nações Unidas, aponta para críticas de dois pesos e duas medidas aplicadas a berlim. A defesa de Israel é destacada com firmeza, enquanto, segundo ele, a Alemanha é menos enérgica em relação ao direito internacional aplicado por outros atores.
Especialistas veem a campanha tardia como um dos elementos decisivos. Em 2011, a Áustria iniciou a busca por assento; Portugal seguiu em 2013; a Alemanha só começou em 2019, o que favoreceu candidaturas já estabelecidas. Diferentes tradições diplomáticas também pesam.
Repercussões internas
Manfred Pentz, ministro de Estado para Assuntos Internacionais do Estado de Hesse, sugeriu discutir cortes de financiamento à ONU, citando influência e retorno de investimento. Críticos destacam que reduzir fundos pode comprometer a credibilidade da própria candidatura alemã.
Já o analista Griep ressalta que optar por menos envolvimento não seria benéfico para a Alemanha. A política externa do país pode exigir integração maior das Nações Unidas no planeamento, conforme afirmou o especialista.
Ponto de vista do governo
Wadephul, em encontro com o colega mexicano Roberto Velasco na Cidade do México, reiterou que o parlamento decide o nível de investimento financeiro. O ministro afirmou ainda que a Alemanha deve manter o empenho nas Nações Unidas, consideradas pela sua legitimidade para gestão de crises.
Reações políticas
Vários actores da oposição criticaram a linha de política externa. Claudia Roth destacou, em redes sociais, que a derrota resulta de uma política externa relativamente branda, marcada por cortes em ajuda humanitária e compromissos climáticos. O comentário gerou debate sobre credibilidade internacional.
Marie-Agnes Strack-Zimmermann defendeu manter o envolvimento internacional, sublinhando a necessidade de a Alemanha provar ser um parceiro fiável no ordenamento internacional baseado em regras.
Rodeich Kiesewetter, também CDU, classificou a derrota como um revés diplomático que exige lições estratégicas. Atribuiu o resultado ao atraso na entrada na corrida, mantendo, contudo, que a posição a favor de Israel não foi a causa principal.
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