- O tribunal de recurso de Paris considerou a Airbus e a Air France culpadas de homicídio por negligência no acidente do voo AF447, em 2009, que abatou-se sobre o Atlântico e matou 228 pessoas.
- As empresas foram condenadas a pagar a multa máxima por homicídio por negligência corporativo, 225 mil euros, conforme o veredito dos juízes.
- Em 2023, o tribunal de primeira instância já as tinha absolvido; o veredicto de agora inverteu essa decisão.
- Familiares das vítimas acompanharam o veredicto, descrevendo-o como um reconhecimento oficial da dor e que encerra uma etapa longa da batalha judicial.
- A Airbus indicou que irá recorrer para o Tribunal Superior de França; o processo pode ainda seguir com recursos, prolongando-se por anos.
Airbus e Air France foram consideradas culpadas, por homicídio por negligência, num veredito do tribunal de recurso de Paris sobre o acidente de 2009 que matou 228 pessoas entre o Rio de Janeiro e Paris. A decisão ocorreu esta quinta-feira, após a absolvição em primeira instância em 2023.
O voo AF447 despenhou-se no Atlântico durante uma tempestade, a 1 de Junho de 2009. As caixas negras foram encontradas apenas em 2011, numa operação de busca em profundezas, revelando falhas técnicas e de formação que acompanharam o caso.
Reação das famílias e contexto judicial
Daniele Lamy, presidente da associação de vítimas, disse que “foi feita justiça”. Famílias de franceses, brasileiros e alemães ouviram o veredicto em silêncio, numa maratona judicial de 17 anos.
As multas, de 225 mil euros por homicídio por negligência, representam uma sanção simbólica face à faturação das empresas. Contudo, para alguns familiares, o veredito constitui reconhecimento da dor vivida.
Desfecho processual e próximos passos
A Airbus prevê recorrer para o Supremo Tribunal, aumentando a duração do litígio. A Air France não comentou de imediato a decisão pública, mantendo a postura de defesa já adotada ao longo do caso.
Advogados de defesa indicaram que novos recursos podem prolongar o processo, desviando o foco para questões jurídicas complexas, em vez de detalhes da cabina do AF447.
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