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Acordo de gás promete flexibilidade, mas pode prender Europa a fósseis

Parceria entre TotalEnergies e EPH promete energia flexível, mas críticos dizem que pode aprofundar a dependência europeia de gás fóssil e elevar faturas

FOTO DE ARQUIVO - Letreiro da francesa TotalEnergies na sede, em La Défense, distrito empresarial nos arredores de Paris, em 21 de março de 2025
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  • Em 29 de abril foi concluído um acordo que atribui à TotalEnergies 50 por cento do portefólio de produção elétrica flexível da EPH na França, Irlanda, Itália, Países Baixos e Reino Unido, com 14 gigawatts de ativos em operação ou em construção, 12,5 GW a gás fóssil.
  • A EPH recebeu ações da TotalEnergies no valor de cerca de 5,1 mil milhões de euros, tornando-se um dos maiores acionistas da empresa francesa.
  • O grupo Beyond Fossil Fuels avança que a parceria pode aprofundar a dependência da Europa do gás fóssil, estimando custos entre 6,68 mil milhões e 7,56 mil milhões de euros em cinco anos.
  • A TTEP, a empresa conjunta, é vista como parte da estratégia de capacidade energética da TotalEnergies, que usa subsídios de capacidade para manter centrais disponíveis e cumprir metas de fornecimento contínuo.
  • Mas o relatório aponta que a maior parte das centrais envolve gás de ciclo combinado, com poucas unidades de ciclo aberto para resposta rápida, o que pode ter implicações em emissões e flexibilidade da rede.

A TotalEnergies e a EPH anunciaram a criação de uma das maiores plataformas de produção de eletricidade a gás na Europa, formalizada a 29 de abril. A parceria envolve a TotalEnergies a deter 50% do portefólio de produção elétrica flexível da EPH em França, Irlanda, Itália, Países Baixos e Reino Unido. O conjunto inclui 14 gigawatts de ativos, dos quais 12,5 GW são centrais a gás fóssil.

A empresa conjunta resulta na reorganização de ativos para servirem de reserva de energia, permitindo ligar rapidamente a produção quando a energia eólica e solar não está disponível. Em termos financeiros, a EPH recebeu ações da TotalEnergies avaliadas em cerca de 5,1 mil milhões de euros, tornando-se um dos maiores acionistas da empresa francesa.

Um relatório do Beyond Fossil Fuels (BFF) questiona o benefício da aliança, sugerindo que a parceria pode aprofundar a dependência europeia de gás fóssil importado, elevando faturas e atrasando a transição para energia limpa. O BFF alerta para o peso de centrais a gás com turbinas de ciclo combinado na carteira, desenhadas para produção de base, não para resposta rápida de pico.

Contexto técnico e operacional

A TotalEnergies integra a joint venture no âmbito da iniciativa Clean Firm Power, que visa assegurar eletricidade de baixo carbono 24 horas por dia, combinando renováveis com ativos flexíveis a gás. No entanto, parte relevante das centrais da empresa conjunta utiliza tecnologia de ciclo combinado, menos ágil que outras opções para gerir picos de procura. Investigação recente mostra que a maior parte destas unidades depende de subsídios de capacidade, o que pode influenciar a rentabilidade.

O texto do BFF sublinha que grande parte das centrais em operação ou construção na joint venture depende de tecnologia de ciclo combinado — adequada para produção contínua, não para resposta rápida a variações de demanda. Em contrapartida, turbinas a gás de ciclo aberto oferecem maior flexibilidade, mas apenas uma parcela das unidades da parceria é dessa categoria.

Implicações para a segurança energética e o custo

O gás continua a ocupar um papel relevante no mix elétrico europeu, sobretudo quando a produção renovável enfrenta interrupções. Dados da IEA indicam aumento do consumo de gás para eletricidade na Europa em 2025, enquanto a ENTSO-E destaca a importância da flexibilidade para manter a rede estável. Os analistas do BFF estimam custos altos para a Europa com a importação de gás nos próximos cinco anos, beneficiando, segundo o grupo, produtores fósseis.

Para o cenário regulatório, governos europeus continuam a atribuir subsídios de capacidade a centrais elétricas para manter disponibilidade. O BFF afirma que mais de metade das centrais da joint venture recebeu financiamento de mercados de capacidade entre 2015 e 2024, reforçando a dependência de apoios públicos em ativos fósseis.

Reação e próximos passos

A associação foi recebida com ceticismo por organizações de defesa climática, que consideram que o acordo não resolve a insegurança energética europeia e pode manter a Europa dependente de gás importado, com volatilidade de preços. A TotalEnergies e a EPH foram solicitadas a prestar esclarecimentos, sem indicar conclusões finais.

Este acordo, que envolve GNL e uma presença forte no comércio de gás, coloca em foco o debate sobre a transição energética na Europa. As implicações para o custo da energia, para a segurança do abastecimento e para o clima permanecem sob observação de reguladores, investidores e organizações da sociedade civil.

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