- Foi apresentado, a 16 de maio, um código de conduta para proteger o golfinho solitário Mimmo, que habita há cerca de um ano as águas de Veneza.
- O animal é um jovem macho da espécie Tursiops truncatus e chegou à lagoa vinda do mar Adriático, avistado pela primeira vez a 24 de junho de 2025 em Chioggia.
- O código recomenda manter distância mínima de cinquenta metros, evitar qualquer interação, alimentação ou chamar a atenção com ruídos.
- Os condutores de lanchas devem cumprir limites de velocidade e evitar manobras que possam colocar o golfinho em risco.
- Foi criado um número de WhatsApp para emergências e o objetivo é não domesticar o animal nem torná-lo numa atração turística, para facilitar o seu eventual retorno ao mar.
O Golfinho Mimmo, residente há quase um ano nas águas de Veneza, volta a ganhar destaque com a adoção de um código de conduta para avistamentos. A iniciativa visa proteger o jovem macho da espécie golfinho-roaz, que frequenta a lagoa veneziana vindo do Adriático desde o ano passado.
Segundo especialistas, o animal, de boa saúde, tem sido visto junto a zonas com intenso movimento turístico, incluindo áreas próximas a gôndolas e embarcações. A presença contínua suscitou nas autoridades e na comunidade local o cuidado para evitar qualquer interação que possa comprometer o bem-estar dele.
Novo código de conduta
No sábado, 16 de maio, foi apresentado o código de conduta com orientações claras para residentes e visitantes. O documento está disponível em italiano e em inglês e inclui um contacto de emergência via WhatsApp para situações específicas. O objetivo é reduzir tentativas de contacto direto e evitar situações de domesticação ou exploração turística.
Lembrando a importância de manter distância, o código recomenda manter pelo menos 50 metros do golfinho, não se aproximar nem oferecer alimento. Condutores de barco devem respeitar os limites de velocidade e evitar manobras de risco que possam colocar o animal em perigo.
Contexto e avaliações técnicas
O biólogo Luca Mizzan, do Museo di Storia Naturale de Veneza, enfatiza que golfinhos solitários tendem a procurar contacto, mas não se deve responder a esse impulso por bem-estar do animal. O objetivo é prevenir a observação promovida por redes sociais que pode comprometer a privacidade e a segurança do exemplar.
Sandro Mazzariol, professor da Universidade de Pádua, acrescenta que o golfinho está adaptado ao ambiente urbano de Veneza, incluindo o tráfego de embarcações. Relatos indicam que o animal se alimenta bem e está com a pele em boa condição, apesar de ferimentos anteriores causados por uma colisão com hélice. Os especialistas destacam ainda a importância de não permitir que o golfinho se torne uma atração turística permanente.
Perspetivas para o futuro
A presença de Mimmo tem fascinado moradores e turistas, mas as autoridades reiteram a necessidade de respeitar a vida selvagem para possibilitar eventual retorno ao mar aberto. A iniciativa de conduta, ainda que pioneira, pretende reduzir riscos e promover uma convivência segura entre o animal, o turismo e a cidade dos canais.
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