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Hantavírus de longo prazo existe? Como é viver após a infeção

Sobreviventes de hantavírus mantêm sintomas físicos e psicológicos meses após a alta, com recuperação lenta e necessidade de cuidados de longo prazo

Uma mulher sentada na cama de hospital olha para a luz lá fora. Após infeção por hantavírus, muitos continuam a sofrer problemas físicos e mentais duradouros.
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  • Um estudo com 21 sobreviventes de hantavírus Andes, avaliados entre três e seis meses após alta, mostrou que nenhum recuperou totalmente a partir de HCPS.
  • Mais de sessenta por cento não se sentiam totalmente recuperados, com uma média de onze a doze queixas por pessoa, incluindo cansaço, problemas motores, insónia, ansiedade e alterações de memória ou sensoriais.
  • Sintomas persistentes ocorreram em ambos os grupos, tanto nos casos graves como nos menos graves, sugerindo recuperação longa ligada à doença, não apenas à passagem pela UTI.
  • Quase um em cada cinco sobreviventes ainda não regressou ao trabalho ou à escola aos seis meses; os que voltaram relataram menor rendimento.
  • Os autores defendem melhores cuidados de longo prazo e apoio multidisciplinar após a alta, devido ao impacto físico e psicológico prolongado.

O hantavírus pode deixar marcas que vão além da fase aguda. Um estudo sobre pacientes que sobreviveram à síndrome cardiopulmonar por hantavírus (HCPS) aponta sintomas persistentes entre 3 e 6 meses após a alta, mesmo em casos menos graves. O trabalho envolve 21 sobreviventes acompanhados pela Pontificia Universidad Católica de Chile.

Os investigadores classificaram os pacientes pela gravidade da doença e pela necessidade de ECMO, o suporte de vida intensivo. O objetivo foi entender recuperação, sintomas e qualidade de vida a médio prazo. A morte associada à HCPS pode chegar a 50%, destacam os autores.

Entre os 21 sobreviventes, todos relataram algum sintoma prolongado. Mais de 60% não estavam totalmente recuperados aos 3-6 meses, com uma média de 11 a 12 queixas por pessoa. Apenas quem teve necessidade de reabilitação recebeu acompanhamento completo após a alta.

Os sinais mais frequentes incluíram cansaço intenso, problemas motores, queda de cabelo, insónia, ansiedade, falhas de memória e alterações sensoriais. Tanto pacientes graves como menos graves relataram piora na qualidade de vida, indicam os resultados.

A investigação também indica uso prolongado de analgésicos, sedativos e vitaminas, com automedicação frequente entre os sobreviventes, especialmente naqueles com HCPS de gravidade ligeira.

Desfechos e implicações

O estudo revela regressos demorados às atividades normais: quase um em cada cinco não regressou ao trabalho ou à escola aos seis meses. Quem regressou, o fez em média após cerca de três meses e meio, com relatos de rendimento reduzido.

Entre os doentes que receberam ECMO, quase metade sentiu-se estigmatizada no ambiente de trabalho ou escolar, temendo contágio por roedores. A recuperação parece depender da doença em si, não apenas do tempo de internamento.

Os autores reconhecem limitações, dado o tamanho da amostra. Contudo, defendem que a recuperação exige continuidade clínica, com equipas multidisciplinares após a alta, apoio social e maior compreensão para apoiar a reinserção dos sobreviventes.

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