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ONU alerta: bloqueio de fertilizantes pode provocar crise humanitária

ONU alerta que bloqueio do estreito de Ormuz pode provocar grave crise humanitária em semanas, com mais de 45 milhões em risco de fome

Jorge Moreira da Silva
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  • O Irão bloqueia há vários meses o estreito de Ormuz, importante passagem para um terço dos fertilizantes mundiais, em retaliação a uma guerra iniciada a 28 de fevereiro.
  • O grupo de trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU), liderado por Jorge Moreira da Silva, alerta que o bloqueio pode provocar, dentro de algumas semanas, uma grave crise humanitária.
  • Moreira da Silva disse que há algumas semanas para evitar uma crise, e que cerca de 45 milhões de pessoas podem cair na fome se não for atuado.
  • A ONU propõe um mecanismo para permitir a passagem de fertilizantes e matérias-primas associadas (amoníaco, enxofre, ureia); se houver acordo, o mecanismo poderia funcionar em sete dias, mas a normalidade exigiria três a quatro meses.
  • As exportações que normalmente passam por Ormuz destinam-se principalmente ao Brasil, à China, à Índia e à África; Moreira da Silva já contactou mais de cem países para angariar apoio.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas alerta que o bloqueio do estreito de Ormuz, pelos iranianos, pode provocar uma grave crise humanitária nas próximas semanas. O estreito, que tradicionalmente faz passar cerca de um terço dos fertilizantes mundiais, está a sofrer interrupções que afetam o transporte de matérias-primas.

Um grupo de trabalho da ONU, criado em março pelo secretário-geral António Guterres, trabalha para facilitar a passagem de fertilizantes e componentes associados, como amoníaco, enxofre e ureia. O líder é Jorge Moreira da Silva, diretor-executivo do UNOPS, que já contactou mais de 100 países.

Esforços da comunidade internacional

Moreira da Silva diz ter procurado apoio entre os Estados-Membros da ONU para implementar o mecanismo proposto, que visa garantir a passagem de fertilizantes. O objetivo é evitar atrasos na semeadura, sobretudo em países africanos, com previsão de abrir espaço para cinco navios carregados por dia. A ONU aponta que o atraso ameaça a produção agrícola global.

Segundo o responsável, o mecanismo poderia estar operacional em sete dias, caso haja acordo entre as partes. No entanto, mesmo com a reabertura imediata do estreito, estima-se que leve três a quatro meses para recuperar a normalidade logística e dos preços.

Contexto e impactos

O bloqueio persiste há meses no Ormuz, em retaliação a ações de EUA e de Israel. Enquanto isso, o custo dos fertilizantes tem aumentado significativamente, o que pode reduzir a produtividade agrícola e pressionar ainda mais os preços dos alimentos. A ONU reforça a necessidade de uma resposta rápida para minimizar a insegurança alimentar mundial.

A situação envolve, entre outros, Estados Unidos, Irão e nações do Golfo, que ainda não chegaram a um consenso sobre a implementação de um mecanismo de passagem. A ONU mantém o foco na proteção do fluxo de fertilizantes para Brasil, China, Índia e África.

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