- A União Europeia está a reforçar o papel da energia nuclear, em resposta à crise energética e à limitabilidade das renováveis em sustentar uma indústria pesada.
- A Comissão lançou o AccelerateEU, com cinco pilares para aumentar a segurança energética, incluindo armazenamento de gás, observatório de combustíveis, apoio aos governos e um Plano de Eletrificação até 2026.
- A energia nuclear deverá representar 24% da eletricidade em 2026, com 98 reatores em 12 Estados-Membro; existe uma Aliança Nuclear de 12 países que mira 150 gigawatts até 2050 e apoio a pequenos reatores modulares (SMR) com investimento de 200 milhões de euros.
- As energias renováveis continuam a ganhar peso: objetivo de pelo menos 42,5% da energia verde até 2030 (45% em 2030 no âmbito daREPowerEU) e aumento de cerca de 333,4 mil milhões de euros em 2025 para a energia limpa. A rede elétrica europeia precisa de modernização para suportar a transição.
- Além do nuclear e das renováveis, a UE aposta no gás natural liquefeito (GNL) e no hidrogénio verde como opções complementares, com foco na redução da dependência de gás russo e no apoio ao uso industrial do hidrogénio.
A União Europeia está a reforçar o papel da energia nuclear, em resposta à crise energética e à limitação das renováveis para suportar uma economia industrial pesada. A mudança surge num contexto de perturbação do aprovisionamento global e de subidas de preços dos combustíveis fósseis.
A AIE estimou uma perda diária de cerca de 13 milhões de barris devido aos eventos geopolíticos, com a UE a gastar mais 6 mil milhões de euros nos primeiros 17 dias de conflito no Irão. Bruxelas procura independência energética e maior previsibilidade de custos.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que foi um erro estratégico abandonar uma fonte de energia fiável com baixas emissões. A agenda atual vê o nuclear como parceiro da volatilidade das renováveis para manter a estabilidade da rede.
AccelerateEU como resposta da Europa à crise energética
A Comissão lançou o AccelerateEU para aumentar a segurança energética e reduzir a dependência externa. O pacote tem cinco pilares, entre eles o armazenamento de gás comum e a supervisão de auxílios estatais.
A iniciativa inclui uma observação de combustíveis para acompanhar produção, importação e exportação, bem como alertas de escassez. Regimes de rendimento e vales de energia visam proteger famílias vulneráveis e empresas.
Para incentivar a produção interna, o Plano de Ação para a Eletrificação visa facilitar a eletrificação de indústria, transportes e construção, tornando a eletricidade a principal fonte. O redescope pretende modernizar infraestruturas do bloco.
O nuclear na loǵistica europeia
A energia nuclear surge como opção estável, com França a responder por 58% da eletricidade nuclear na UE. Países como Espanha, Suécia, Finlândia e Bélgica juntos geram cerca de 26%. A UE conta com 98 reatores em 12 Estados e 96,2 GW de potência.
A expedite necessária envolve extensão de vida útil, novos investimentos e melhoria de cadeias de abastecimento. O objetivo é manter a confiabilidade da geração com custos previsíveis a longo prazo.
O papel histórico do nuclear na UE
A aposta nuclear acompanha a trajetória desde a Euratom de 1957. A UE integrou a energia nuclear na taxonomia verde em 2023 e lançou a Lei da Indústria Net-Zero em 2024, com licenciamento de 18 meses para projetos nucleares.
Em 2026, a Estratégia SMR prevê 200 milhões de euros para acelerar pequenos reatores modulares. O Programa Indicativo Nuclear estima um investimento de 241 mil milhões de euros até manter e ampliar a frota.
A descarbonização e as renováveis
As renováveis mantêm o impulso, com participação prevista de 42,5% a 45% da eletricidade até 2030. Em 2024, a energia verde representou 25,2% do cabaz da UE, com a Suécia na liderança. A UE visa reduzir emissões em 90% até 2040.
O aumento da eletrificação é visto como parte central, com metas de eletrificação para indústria, transportes e construção. O plano também aponta a necessidade de redes mais fortes para suportar a expansão.
GNL, hidrogénio verde e financiamento
Além do nuclear e das renováveis, o GNL e o hidrogénio verde aparecem como alternativas. O GNL ajuda a substituir gás russo, apoiado pelo REPowerEU, que financia terminais de regaseificação e interconectores.
O hidrogénio verde, produzido por eletrólise de água com renováveis, é promovido para setores industriais pesados. O Banco Europeu de Hidrogénio subsidia o preço verde para atrair investimento privado.
Perspetivas e desafios
Especialistas destacam que, sem uma rede moderna, a expansão das energias limpas fica restrita. A Comissão espera aprovar o pacote de redes até ao verão de 2026 para ultrapassar licenciamento e conectividade.
Rosita Zilli, diretora de Políticas da Aliança Europeia de Investigação Energética, afirma que há uma fase inicial de efeitos em cascata face a choques de aprovisionamento. A UE precisa de estratégia estável além da resposta imediata.
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