- O Papa Leão XIV chegou a Malabo, Guiné Equatorial, na quarta e última etapa da digressão africana, sendo o primeiro Papa a visitar o país desde 1982.
- Condenou a “colonização” dos recursos minerais de África e a sede de poder, num país onde Teodoro Obiang Nguema Mbasogo está no poder desde 1979.
- Reuniu-se com o presidente Obiang no palácio presidencial e discursou perante funcionários, diplomatas e deputados, apontando desigualdades agravadas pela economia global.
- Citou a Cidade de Deus ao mencionar a nova capital Ciudad de la Paz, sugerindo-a como modelo, embora a transferência possa agravar desigualdades e beneficiar o círculo no poder.
- Em visita a uma prisão em Bata, o Papa criticou políticas de migração; as autoridades americanas mantêm acordos com a Guiné Equatorial, com deportações de migrantes a partir dos Estados Unidos.
O Papa Leão XIV chegou a Malabo, capital da Guiné Equatorial, para a quarta e última etapa da sua digressão africana. Durante a visita, o pontífice criticou a exploração de recursos minerais no continente e lançou críticas à lógica de poder que sustenta a economia local.
A Guiné Equatorial, liderada desde 1979 por Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, é uma economia dependente do petróleo, que representaria perto de metade do PIB e mais de 90% das exportações. A pobreza afeta mais da metade dos cerca de dois milhões de habitantes.
O Papa reuniu-se com o Presidente no palácio presidencial e, de seguida, discursou junto de funcionários, diplomatas e deputados. A comitiva do Vaticano destacou valores de justiça social e autodeterminação, em referência à desigualdade econômica associada aos recursos naturais.
O encontro coincidiu com o primeiro aniversário da morte de um antecessor do Papa atual, ao qual Leão XIV se referiu numa mensagem dedicada a reduzir as desigualdades geradas pela economia global orientada pelo lucro.
A nova capital Cidade da Paz, ainda em construção, foi mencionada pelo Papa ao lembrar a distinção entre a cidade terrena e a cidade de Deus, defendendo que a Guiné Equatorial pense numa alternativa que priorize o bem comum e os pobres.
Durante a visita, o Papa percorreu estruturas públicas e visitou uma prisão na cidade portuária de Bata, em contexto de debates sobre direitos humanos e migração. Observadores estrangeiros destacaram a relação estreita entre a Igreja e o governo local.
Relatos de organizações de direitos humanos indicam que, apesar da presença católica, a Igreja enfrenta pressão institucional associada ao poder governamental. Críticos apontam que serviços religiosos podem coexistir com interesses políticos locais.
O pontífice também abordou questões de migração, numa política de deportação associada a acordos entre os Estados Unidos e autoridades locais. Segundo agências, dezenas de migrantes foram transferidos para a Guiné Equatorial, com acesso limitado a assistência legal.
A visita, que encerra a digressão africana, consolidou a presença do Vaticano em um país de forte presença católica, mas marcado por críticas de direitos humanos e por debates sobre a partilha de recursos naturais e o modelo económico.
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