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Festival de BD de Angoulême tem nova organização, 2027 continua em risco

Angoulême fica sob nova gestão pelo grupo Morgane, mas disputa legal com 9e Art+ pode pôr em risco a edição de 2027

Considerado o maior do mundo, o Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême recebe anualmente cerca de 200 mil visitantes
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  • Angoulême ficará entregue a um grupo independente da Morgane a partir de 2027, liderado por Marie Parisot e Céline Bagot, enquanto a 9e Art+ contesta a decisão e diz manter contrato até ao próximo ano.
  • A edição de 2026 do festival foi cancelada após denúncias de assédio, irregularidades laborais e má gestão, intensificando a crise que levou à mudança de organização.
  • A Associação para o Desenvolvimento da Banda Desenhada em Angoulême (ADBDA), criada em 2017, supervisiona o festival e decidiu afastar a 9e Art+ da gestão.
  • A 9e Art+ moveu uma ação civil contra a ADBDA, reclamando 300 mil euros por alegada “apropriação brutal” do evento; a audiência está marcada para 20 de maio.
  • A preparação da próxima edição está comprometida pela redução do tempo disponível para convidar autores e abrir candidaturas, numa altura em que o festival recebe cerca de 200 mil visitantes por ano.

O Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, considerado o maior do mundo, teve a gestão da edição de 2026 encerrada após denúncias de má organização. A Associação para o Desenvolvimento da Banda Desenhada em Angoulême (ADBDA) anunciou, porém, que a organização do festival seguiria no próximo ciclo com novos parceiros. A decisão foi recebida com surpresa e abriu uma batalha legal entre entidades envolvidas.

A ADBDA confirmou que, a partir de 2027, o festival ficará a cargo de um grupo independente ligado à produção de eventos, liderado por Marie Parisot, ex-diretiva de Dargaud e Les Humanoïdes Associés, e Céline Bagot, fundadora do Festival Pop Women em Reims. O grupo Morgane, já responsável pelos festivais Francofolies e Printemps de Bourges, foi escolhido entre quatro candidatos.

Mudança de organização

A 9e Art+, empresa que até 2025 organizou o festival, contesta a decisão. Alega que está contratualmente ligada ao evento até ao próximo ano e acusa a ADBDA de apropriação do festival. A 9e Art+ exige uma indemnização de 300 mil euros pela não-realização de 2026. A associação FIBD apoia a posição da 9e Art+.

Parcerias, actuais e antigas, também estão envolvidas na disputa. A ADBDA sustenta que a mudança atende às expectativas da indústria, nomeadamente em padrões artísticos e diversidade estética. Uma audiência civil está marcada para 20 de Maio, em Angoulême, após reagendamentos.

Impacto na edição de 2027

Paralelamente, a preparação da próxima edição enfrenta pressão temporal. O tempo para convidar autores e abrir candidaturas está a diminuir, o que poderá afectar a programação e a qualidade do evento. O festival recebe anualmente cerca de 200 mil visitantes, tornando a edição de 2027 especialmente sensível a atrasos.

Desde 2016, o festival tem sido alvo de críticas públicas sobre gestão, com diversas cartas de autores e movimentos a exigir mudanças. Entre denúncias de sexismo, abusos e irregularidades laborais, o debate aumentou a pressão sobre a direção do evento e a ADBDA.

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