- O 49.º Festival Internacional de Expressão Ibérica (FITEI) realiza-se de 13 a 24 de maio, em quatro cidades do norte, com o tema “colapso e esperança”.
- O Porto recebe a co-produção Suplicantes nos dias 13 e 14 de maio, e a estreia absoluta de FMI KAPA ocorre a 24 de maio, numa criação da Saaraci Coletivo Teatral.
- O cartaz inclui dezasseis espetáculos, com quatro estreias nacionais, seis absolutas e nove co-produções, distribuídos por Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos e Viana do Castelo.
- A programação sul-americana abrange várias propostas da Argentina e do Uruguai, com foco político e temáticas como migração, habitação e memórias históricas.
- O diretor artístico aponta uma presença internacional menor este ano, reflexo do congelamento dos apoios; perspetiva celebrar os cinquenta anos do festival entre 2027 e 2028 e avançar com o Centro de Criação Dramática com apoio europeu.
O Festival Internacional de Expressão Ibérica (FITEI) volta a decorrer entre 13 e 24 de Maio, em quatro cidades do Norte. O programa mantém-se aberto a temas actuais, marcados pela tensão e incerteza.
No Porto, abre a co-produção Suplicantes, em 13 e 14 de Maio, no Teatro Campo Alegre. A encenação é de Sara Barros Leitão, com a estrutura artística Cassandra, resultado de uma residência do FITEI no ano anterior.
Suplicantes atualiza a tragédia de Ésquilo, trazendo uma leitura contemporânea sobre migrantes e a localização da ação no Parlamento Europeu. A peça já passou por residências e percorre palcos nacionais.
Entre 13 e 24 de Maio encerra-se o ciclo com a estreia absoluta de FMI KAPA, no Teatro Rivoli, a 24 de Maio. Trata-se de uma criação da Saaraci Coletivo Teatral, encenação de João Branco, numa versão cénica crioula de José Mário Branco.
O conjunto do festival soma 16 espectáculos, incluindo 4 estreias nacionais, 6 absolutas e 9 co-produções. O FITEI também passa por Vila Nova de Gaia, Matosinhos e Viana do Castelo.
Presença sul-americana
A edição destaca criadores sul-americanos e projetos resultantes de residências iniciadas em 2025. Em Suplicantes, Sara Barros Leitão faz uma alegoria da situação dos migrantes, com foco no poder europeu.
Habitar, de André Amálio com Hotel Europa, estreia em Matosinhos e aborda a crise de habitação. O encenador argentino Federico León chega pela terceira vez ao Porto com El Trabajo, em 14 de Maio, no São João.
Três Pozos, da dupla argentina Canale-Oyarzun, presta homenagem aos trabalhadores indígenas da Patagónia. A Fortaleza, de Lorena Conde e Raquel S., recria a lenda antifascista galega Chelo.
De Uruguai chega Zombi Manifesto, em Viana do Castelo e Porto, atravessando cinema de terror e referências políticas. E Bossa Nova, de Tita Maravilha, em Rivoli, explora a música brasileira como acto de crítica social.
Criações portuguesas
Entre as criações nacionais, Desver, de Joana Craveiro, retorna ao FITEI com uma abordagem sobre a Palestina. Comer a Terra, da Didascália, convida o público a refletir sobre alimentação e relações de poder.
Descobri-Quê, de Dori Nigro, em parceria com a Estrutura, aborda os Descobrimentos e a descolonização. Há Qualquer Coisa Prestes a Acontecer, de Victor Hugo Pontes, coreografa a inquietação associada a José Mário Branco.
Isto É um Hitler Genuíno, em Viana do Castelo via FITEI, adapta a peça de Mayenburg pela companhia Assédio. Espalhar Fel, um áudio-walk em que Mickaël de Oliveira guia o público por um percurso distópico, estreia em 14 de Maio.
O Nome, de Nuno Cardoso, encena Jon Fosse e a fractura familiar. O espectáculo tem estreia nacional no Teatro Aveirense, antes de chegar ao Porto.
Isto tudo acontece com uma linguagem neutra, com foco na informação, sem conclusões ou opiniões. O festival mantém o objetivo de interpelar o presente através da arte.
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