- A REN defende que os planos base de investimento em eletricidade e gás são necessários para o funcionamento das redes, deixando ao Governo a decisão sobre os investimentos complementares.
- Os planos em causa são o PDIRT-E 2024 e o PDIRG 2026-2035; investimento base de cerca de 481 milhões de euros no primeiro quinénio do ciclo 2025-2034, mais complementares avaliados em cerca de 775 milhões de euros para 10 anos, e 220 milhões de euros adicionais para nova capacidade de armazenamento, além dos 750 megawatts em baterias anunciados.
- Entre os complementares elétricos, destacam-se investimentos para cobrir consumos estratégicos, reforçar a capacidade de injeção de renováveis, desenvolver a zona offshore de Viana do Castelo, enterrar linhas na Grande Lisboa e Grande Porto e otimizar corredores no Alto Douro Vinhateiro.
- No gás, a proposta prevê 101 milhões de euros em base, para modernização de ativos, melhorias no terminal de Sines, gestão de faixas de servidão e reforço de telecomunicações e segurança; os complementares incluem adaptação a gases renováveis e hidrogénio no Carriço, duas novas cavidades de armazenamento, infraestruturas para biometano e condições no terminal de Sines para navios small-scale.
- A ERSE foi mencionada como tendo pareceres já refletidos nos projetos base; a REN diz que os pareceres não impedem a progressão dos base, e que caberá aos decisores de política energética decidir sobre os complementares, citando o apagão ibérico de 28 de abril de 2025 como confirmação da necessidade de investimentos.
A REN sustentou, nesta terça-feira, no parlamento, que os projetos base dos seus planos de investimento em eletricidade e gás são necessários para o funcionamento normal das redes, deixando aos decisores políticos a avaliação dos projetos complementares. A audiência ocorreu na comissão de Ambiente e Energia, a pedido do PS e do PSD.
João Conceição, administrador da REN, explicou que a empresa divide os planos entre projetos base e complementares. Os primeiros asseguram a operação das infraestruturas, enquanto os segundos visam objetivos de política energética e dependem de decisão do Governo para avançar. Os planos discutidos são o PDIRT-E 2024 e o PDIRG 2026-2035.
Para eletricidade, a REN apresentou um investimento base de cerca de 481 milhões de euros no quinquénio 2025-2034, com projetos complementares avaliados em 775 milhões de euros para 2026-2035. Além disso, há 220 milhões de euros adicionais para armazenamento, além dos 750 MW de baterias já anunciados pelo Governo.
Entre os projetos complementares elétricos, foram mencionados o reforço à capacidade de injeção de renováveis, o desenvolvimento da zona offshore de Viana do Castelo e a reformulação da rede, incluindo enterramento de linhas na Grande Lisboa e no Grande Porto. Também há planos no Alto Douro Vinhateiro para otimizar corredores de transporte.
No segmento do gás, os projetos base somam 101 milhões de euros, com foco na modernização e digitalização de ativos, melhorias no terminal de GNL de Sines e reforço de telecomunicações e segurança. Os quatro eixos dos complementares incluem adaptação da rede a gases renováveis e hidrogénio, novas cavidades de armazenamento e infraestruturas para biometano, além de condições no terminal de Sines para navios de pequeno porte.
O Carriço deverá receber duas cavernas adicionais de armazenamento, elevando a capacidade. Este reforço foi anunciado em 2022, em resposta à crise energética. A REN indicou que os pareceres da ERSE estão refletidos nos projetos base, e que as reservas da reguladora dizem respeito aos complementares, com propostas de adiamento e cofinanciamento para limitar impactos tarifários.
O perímetro de concessões da REN inclui a rede de eletricidade e gás, o terminal de GNL de Sines, o armazenamento do Carriço e a Ren Portgás, responsável pela distribuição na região norte da costa. A empresa destacou que as suas atividades representam cerca de 5,7% da tarifa de eletricidade e 12,8% da tarifa de gás.
O administrador afirmou que cabe ao decisor de política energética decidir sobre o avanço dos complementares, cabendo ao operador de rede executá-los. O apagão ibérico de 28 de abril de 2025 foi citado como evidência da necessidade de alguns investimentos, com parte já aprovada pelo Governo e peças concursais em preparação. O presidente executivo, Rodrigo Costa, rejeitou a ideia de custos excessivos, destacando gestão prudente e custos da REN abaixo da média de operadores europeus.
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