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Estudo revela que rio vivo pode estar profundamente doente

Leça continua poluído e mal gerido; exige-se Agência Nacional da Água e gestão integrada da bacia hidrográfica, face às prioridades agrícolas

O hidrobiólogo e investigador Adriano Bordalo e Sá critica a gestão da água em Portugal
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  • O hidrobiólogo Adriano Bordalo e Sá descreve o rio Leça como “doente”, devido à poluição fecal, sedimentos contaminados e à falta de meios das instituições públicas, com margens urbanas e atividades agrícolas a agravar o problema.
  • A monitorização regista valores de Escherichia coli até cinco, dez, 20, 30 e 50 vezes superiores ao limite recomendado para zonas balneares, com picos no início da manhã e após o almoço.
  • Intervenções ao longo de décadas são pontuais; insiste na necessidade de gestão integrada da bacia hidrográfica, criticando a ausência de uma Agência Portuguesa da Água e a gestão fragmentada da água.
  • O projeto Pro-Rios 2030 e a estratégia Água que Une são vistos como atrasados e insuficientes para enfrentar condições estruturais, incluindo pressões da agricultura de regadio sobre o uso da água.
  • Sustenta-se a criação de uma Agência Nacional da Água com autonomia; o Corredor Verde do Leça avança com poucos recursos, e é necessária participação cívica para pressionar mudanças.

O hidrobiólogo Adriano Bordalo e Sá acompanha há décadas o rio Leça, que atravessa quatro concelhos do Porto. O diagnóstico dele é simples: o Leça resiste, mas está doente, devido à poluição fecal, sedimentos contaminados e à escassez de meios das instituições públicas.

Para o especialista do ICBAS, Portugal falha na gestão integrada dos rios. Descreve uma gestão dispersa, com avanços pontuais, mas sem transformação substancial. A crítica é à existência de uma agência da água insuficiente e a estratégias fragmentadas.

Estrutura institucional e poluição

O Leça nasce rodeado de habitações e, ao longo do curso, recebe água de planícies agrícolas irrigadas com fertilizantes e chorume. A jusante, o rio passa pela área urbana de Ermesinde e desagua contaminado no Porto de Leixões.

Dados de monitorização indicam contaminação por E. coli muito acima de limites para zonas balneares, com picos pela manhã e a meio da tarde. A poluição química permanece nos sedimentos de fundo, resultado de décadas de descargas industriais.

Perspetivas sobre políticas e projetos

O Corredor Verde do Leça é visto como uma iniciativa interessante, mas com poucos recursos humanos e materiais. O projeto é monitorizado, mas a capacidade de resposta a descargas continua limitada.

As críticas concentram-se na ausência de uma agência nacional da água com autonomia. A estratégia Água que Une é considerada setorial e não uma resposta integrada à gestão da água, dificultando uma visão comum entre ambiente e agricultura.

Pro-Rios 2030 e preocupações operacionais

O Pro-Rios 2030 surge como ambição para reabilitar mil quilómetros de rios, com cerca de 187 milhões de euros. Contudo, o programa é visto como atrasado e sujeito a entraves burocráticos, com risco de não se traduzir em mudanças significativas.

Especialistas alertam para a necessidade de gerir a bacia hidrográfica toda, não apenas trechos isolados. A falta de fiscalização eficaz e de quadros técnicos permanentes compromete a eficácia das intervenções.

Participação cívica e perspetivas futuras

O envolvimento dos cidadãos é visto como crucial, incluindo a mobilização de guarda‑rios e a literacia ambiental. Sem vontade política e fundos estáveis, a recuperação do Leça persiste como desafio de longo prazo.

Se houver decisão política e financiamento, um desfecho possível passa pela criação de uma Agência Nacional da Água, capaz de monitorizar, intervir e sancionar, alinhada com padrões europeus.

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