- Portugal registou, em 2025, um aumento de 2% nas emissões de gases com efeito de estufa face a 2024, segundo dados de um centro de investigação finlandês sobre energia.
- O aumento deveu-se a um choque excecional e temporário, provocado pelo apagão de 28 de abril de 2025, que afetou a operação do sistema elétrico.
- O Ministério do Ambiente e Energia diz que houve maior resort ao gás natural em períodos críticos para garantir a segurança de abastecimento, com as centrais a gás utilizadas frente a menor produção hídrica e eólica.
- O Governo sustenta que não há falha estrutural em energias renováveis e que a trajetória de descarbonização se mantém, esperando uma redução do peso do gás já em 2026.
- Medidas de reforço da segurança do sistema, incluindo soluções de armazenamento como baterias, fazem parte de um pacote de aproximadamente 375 milhões de euros para acelerar as renováveis.
Portugal viu as emissões de gases com efeito de estufa subir em 2025, devido a um choque excecional relacionado com o apagão de 28 de Abril. O aumento situou-se em torno de 2% face a 2024, segundo dados do Centro para a Investigação em Energia e Limpeza, com sede na Finlândia.
O Ministério do Ambiente e Energia explica que o apagão obrigou a uma gestão mais cautelosa do mix energético. Houve maior recurso ao gás natural em períodos críticos para assegurar a segurança de abastecimento.
O gabinete da ministra Maria da Graça Carvalho sublinha que as centrais a gás foram usadas em momentos específicos, com menor produção hídrica e de energia eólica, para manter a estabilidade do sistema.
As emissões associadas a combustíveis fósseis aumentaram em 2025, mas o ministério afirma que não houve falha estrutural das energias renováveis. Estas continuam a sustentar a maioria da produção eléctrica do país.
A tutela garante que a trajetória de descarbonização permanece firme e que o gás natural não se prevê como tendência estrutural. O objetivo é reduzir o peso do gás já em 2026, com normalização da operação e maior resiliência.
Segundo dados do INE, o consumo de gás natural tinha já recuado 28,2% entre Agosto de 2022 e Abril de 2024, o que ficava acima da meta de redução de 15% definida pela UE. A recuperação do consumo não é considerada estrutural.
Para reforçar a segurança do sistema, o Governo aponta também investimentos em armazenamento e baterias. O Plano de Reforço da Segurança do Sistema Eléctrico Nacional mobiliza cerca de 375 milhões de euros para acelerar o uso de soluções de energia renovável e a resiliência crítica.
Medidas e perspetivas
- A aposta em armazenamento visa reduzir impactos de choques, como o apagão, e aumentar a autonomia do sistema.
- As avaliações oficiais mantêm o objetivo de normalizar operações e reforçar a resiliência sem depender desproporcionalmente do gás.
- A agenda energética para 2030 continua orientada pela descarbonização, com foco em manter a renovável como principal fonte de geração.
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