- O juiz de instrução Juan Carlos Peinado processou Begoña Gómez, mulher do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, por tráfico de influências, corrupção nos negócios, desvio de fundos públicos e apropriação indevida, propondo que seja julgada por júri popular.
- Juntam-se ao processo a assessora de Begoña Gómez, Cristina Álvarez, e o empresário Juan Carlos Barrabés, que também devem sentar-se no banco dos réus.
- O regulamento aponta uma cátedra na Universidade Complutense de Madrid e indica que, desde que Sánchez é chefe do Governo desde 2018, houve decisões públicas favoráveis a essa cátedra.
- O Ministério Público pediu o arquivamento das acusações, e defesa e MP têm cinco dias para se pronunciar; a decisão final cabe a outro juiz.
- A investigação, iniciada após denúncias de associações próximas da extrema-direita, mantém a pressão sobre Sánchez, que também enfrenta a situação do irmão, David Sánchez, em outro processo de tráfico de influências.
O juiz de instrução Juan Carlos Peinado apresentou Begoña Gómez, esposa de Pedro Sánchez, aos crimes de tráfico de influências, corrupção nos negócios, desvio de fundos públicos e apropriação indevida. O processo foi apresentado em Madrid após dois anos de investigação.
Peinado recomendou que Gómez seja julgada por júri popular. Também estão a ser julgados, no mesmo processo, a assessora Cristina Álvarez e o empresário Juan Carlos Barrabés, alvo de acusações relacionadas com o caso. O despacho ainda precisa de pareceres.
O Ministério Público pediu o arquivamento das acusações contra Gómez durante a instrução. A decisão final sobre levar Gómez a julgamento cabe a outro juiz, que analisará os argumentos das defesas e do MP dentro de cinco dias.
Segundo o despacho, Gómez está acusada de tráfico de influências num projeto universitário conhecido como uma cátedra na Universidade Complutense de Madrid. O documento sustenta que, desde que Pedro Sánchez tornou-se Primeiro-Ministro em 2018, foram tomadas decisões públicas favoráveis à cátedra.
Relativamente à alegada corrupção nos negócios, o juiz afirma que fundos privados teriam sido mobilizados para integração no património pessoal de Gómez, em vez de serem usados na cátedra. A acusação aponta ainda promessas de adjudicações em concursos públicos como forma de retribuição.
A acusação de desvio de fundos públicos envolve a assessora Cristina Álvarez, antiga funcionária da Presidência do Governo, que recebia salários com fundos públicos e prestava serviços a Gómez ligados à atividade profissional da mulher do primeiro-ministro.
Relativamente à apropriação indevida, o despacho refere o uso e registo de um software desenvolvido na cátedra universitária pela própria Gómez. A investigação envolve ainda o papel de outras entidades associadas ao caso.
Begoña Gómez, 55 anos, foi alvo de investigação desde abril de 2024, após denúncias apresentadas por associações próximas da extrema-direita, Manos Limpias e Hazte Oír. Gómez sempre negou irregularidades frente aos tribunais.
O processo ganhou particular atenção ao ligar-se à dinâmica política em Espanha, com Pedro Sánchez a admitir, em abril de 2024, ponderar a possível saída do Governo devido a estas acusações. O líder socialista afirmou ser alvo de denúncias falsas de organizações da extrema-direita.
David Sánchez, irmão de Pedro Sánchez, enfrenta também um processo por tráfico de influências relacionado com a contratação pela administração da província de Badajoz. O caso mantém-se sob processo separado, com julgamento previsto para maio.
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