- A notícia explora a ideia de formar amizades com árvores, destacando a relação entre humanos e plantas e a história dos olmeiros nas cidades americanas.
- O mestre-arboricultor R. J. Laverne, professor na Michigan Tech, mostra como observar, conversar com árvores e incentivar estudantes a “entrevistar” uma árvore para perceber o ambiente vivo.
- Um estudo finlandês identificou três tipos de relações entre pessoas e árvores: nostalgia (memórias e ligações familiares), cuidado (árvores que as pessoas plantaram ou cuidaram) e admiração (árvores carismáticas ou marcantes).
- Muitas pessoas têm uma árvore favorita que permanece ao longo de anos ou até décadas, e o falhanho ou corte dessas árvores pode causar luto semelhante ao de um animal de estimação.
- A autora e especialistas defendem que reconhecer árvores como seres vivos e cultivar uma ligação com elas pode promover preservação ambiental e uma maior atenção ao entorno natural.
A ligação entre seres humanos e árvores tem vindo a ser explorada por investigadores e pela prática da arboricultura. Ao longo de décadas, muitos perceberam que as árvores não são apenas elementos do espaço verde, mas potenciais parceiras de convivência e cuidado.
Numa perspetiva histórica, o olmo foi uma presença marcante na América do Norte, com milhares de exemplares que formavam a “árvore da Rua Principal”. A grafiose, nas décadas de 1930 a 1980, dizimou muitas destas árvores, deixando marcas profundas nas comunidades.
R. J. Laverne, mestre-arboricultor e professor de silvicultura, recorda a lembrança da infância em Detroit, onde o corte de olmeiros transformou a rua num espaço sem as catedrais de sombra que antes existiam. Ele hoje gere formação na Davey Tree Expert Company.
Investigadores finlandeses identificaram três tipos de relações entre pessoas e árvores: nostalgia, cuidado e admiração. As ligações costumam nascer na memória, no cuidado pelo que se planta e naquilo que é carismático nas árvores antigas ou especiais.
Como fazer amizade com uma árvore
Para alguns, conhecer os espécimes do quotidiano pode facilitar a relação. A abordagem envolve observar a árvore, perceber a casca, a folhagem e o ambiente que a envolve, sem esperar respostas diretas.
O estudo mostra que as relações de cuidado ocorrem entre quem planta ou cuida de uma árvore, reforçando o vínculo com o espaço envolvente. Já a admiração recai sobre árvores carismáticas, muitas vezes muito antigas ou de espécie rara.
Autoras e especialistas destacam que nem todas as ligações exigem beleza excecional: uma árvore comum pode ser fonte de significados pessoais diários. Em vez de ver apenas como mobiliário, é possível reconhecê-la como organismo vivo.
Na prática académica, Laverne incentiva alunos a entrevistar uma árvore, propondo uma leitura atenta do ambiente ao redor. O exercício reforça a observação e a escuta do que acontece no ecossistema próximo.
Quando as árvores partem
Estudos indicam que mais de 40% dos inquiridos mantêm apego duradouro a uma árvore favorita, com quase um quarto a amar há décadas. Contudo, a perda de uma árvore querida é, para muitos, um luto real.
Casos públicos de derrubadas intencionais, como o do Sycamore Gap em Northumberland em 2023, geraram indignação internacional. Em ambientes urbanos, há quem tente impedir cortes com avisos prévios, ou ocupe troncos para preservar a memória.
Autoras digitais especializadas em ligação à natureza recebem mensagens de leitores que enfrentam a dor da perda de árvores. O luto pode emergir tanto de doenças como de ações administrativas que visam remover exemplares.
Valor e normalidade da relação com árvores
A ligação emocional com árvores é mais comum do que se julga. O estudo finlandês revela que pessoas de todas as idades e profissões podem desenvolver uma relação com uma árvore específica, sem necessidade de crenças incomuns.
Segundo Vainio, é possível cultivar um olhar mais atento para o que cresce à nossa volta, valorizando a natureza como parte da vida quotidiana. A prática pode promover a proteção ambiental ao reconhecer a árvore como indivíduo.
Em finais, a autora sugere que compreender cada árvore individualmente facilita perceber o ecossistema de forma mais ampla. Cuidar do ambiente nasce daquilo que reconhecemos como mutualidade entre espécies.
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