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Orban agrava o clima anti-Ucrânia antes das eleições na Hungria

Orban recorre a IA e desinformação para apresentar a Ucrânia como bode expiatório, com indícios de apoio russo e impacto nas eleições

Líder da extrema-direita cola o opositor, Peter Magyar, ao presidente ucraniano
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  • Viktor Orban tem usado desinformação e imagens geradas por IA para apresentar a Ucrânia como bode expiatório na campanha eleitoral, que decorre a 12 de abril.
  • Analistas sugerem que a Rússia pode estar a ajudar o líder húngaro com campanhas de “deepfakes” e desinformação para desviar atenções de questões internas.
  • A retórica da campanha é binária: paz versus guerra, com a Ucrânia apresentada como risco e o governo húngaro como defensor da estabilidade.
  • A Hungria bloqueou um empréstimo da União Europeia no valor de 90 mil milhões de euros à Ucrânia e houve desacordos sobre o oleoduto russo.
  • Foram partilhadas publicações com imagens falsas de memorial húngaro vandalizado e de Zelensky, bem como outdoors críticos, expandidos pela propaganda pró-Fidesz.

Viktor Orban, primeiro-ministro húngaro e recandidato, tem utilizado desinformação para apresentar a Ucrânia como bode expiatório na campanha. Analistas destacam que o líder da extrema-direita pode contar com apoio indireto da Rússia.

As observações indicam que imagens criadas por IA são usadas para alimentar o discurso anti-Ucrânia. O objetivo é manter a narrativa de que o governo atual protege a estabilidade, frente a um desafio eleitoral sem precedentes.

A Hungria tem sido um ponto de atrito com a Ucrânia desde acusações de atraso na reabrir de um oleoduto de petróleo russo, sob disputa com Kiev. A relação também envolve o bloqueio de fundos da UE.

Influência russa e técnicas de desinformação

Especialistas apontam tentativas contínuas da Rússia de influenciar os eleitores húngaros, incluindo o uso de deepfakes e desinformação apresentada como notícia. O objetivo é moldar a percepção pública na véspera das eleições.

As mensagens de grupos ligados a redes russas costumam alinhar-se com a propaganda favorável ao Governo húngaro, criando um efeito de reforço entre conteúdos pró-Orban. A falta de comunicação oficial neste tema é considerada problemática pelos analistas.

O ministério dos Negócios Estrangeiros húngaro e o partido no poder rejeitam as acusações de interferência russa, chamando-as de falsas. Ainda assim, persiste a preocupação sobre a origem e a veracidade de certas publicações.

Campanha e estratégias de desinformação

Orban tem apresentado Magyar como figura controlada pela UE e pela Ucrânia. Em comício, o premiado de 12 de abril é apresentado como uma escolha entre ele próprio e Zelensky, num tom binário de paz versus guerra.

Durante a campanha, surgiram fotografias e vídeos manipulados com IA que mostravam eventos ou símbolos controversos. Alguns conteúdos foram amplificados por redes sociais associadas ao governo e a organizações pró-Fidesz.

Mesmo com a oposição a desmentir, imagens de bandeiras ucranianas em manifestações foram posteriormente associadas a apoiantes próximos de Orban. A situação gerou críticas sobre o uso de técnicas de manipulação para fins eleitorais.

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