- O restaurante Vibe, no Chiado, vai fechar no final de março devido a prejuízos mensais entre dez e vinte mil euros, sem investidores externos.
- O chef e proprietário, Mattia Stanchieri, disse que continuar arriscaria aumentar a dívida e que era um capítulo que se fecha.
- O conceito mudava a cada quatro meses; o menu atual é uma homenagem a Copenhaga, com maioria de produtos portugueses, e o menu de degustação custa acima de 100 euros.
- O insucesso é atribuído à localização menos movimentada, ao formato fixo do menu e às alterações frequentes, que afastam clientes; o Vibe já foi Bib Gourmand, mas não possui estrela Michelin.
- O futuro passa por manter-se em Lisboa, procurar novos projetos com investidores e desenvolver estabelecimentos sustentáveis, mantendo o chef no país com a família.
O chef italiano Mattia Stanchieri confirmou o encerramento do restaurante Vibe, em Lisboa, no final de março, devido a dificuldades financeiras que tornam o negócio insustentável. O funil de prejuízos é estimado entre 10 mil e 20 mil euros mensais.
Segundo o proprietário, o Vibe não contava com investidores externos, ao contrário de muitos restaurantes da cidade. A conjugação de custos elevados e uma carteira de clientes insuficiente levou à decisão de fechar para evitar aumento da dívida.
O conceito do Vibe, que mudava de cozinha a cada quatro meses, foi mantendo um posicionamento unitário até ao fim. O menu atual, homenagem a Copenhaga, é preparado integralmente com produtos portugueses.
O encerramento
O restaurante está situado no Chiado, mas o espaço não é de rua especialmente movimentada. O formato de menu de degustação, com preço superior a 100 euros, limita opções para clientes que preferem carta à la carte. A rotatividade do menu também foi apontada como fator de afastamento.
Apesar de ter sido reconhecido como Bib Gourmand, o chef sustenta que o guia Michelin preza por propostas mais estáveis ao longo do ano. O contexto de crise na restauração em Portugal também é citado como contributo para o desempenho fraco.
O que muda na prática
Stanchieri planeia trespassar o Vibe a novos proprietários, oferecendo apoio para a transição. A intenção é manter a relação com Lisboa e com a família, afirmando que pretende ficar no país a longo prazo.
No mês de março, a equipa manterá o funcionamento com o objetivo de apresentar a ementa final. A carta de despedida, intitulada Carta de Amor a Copenhaga, reúne várias opções de degustação. Os preços variam entre 90, 110 e 140 euros, consoante o número de momentos.
O menu final e as ideias futuras
Até ao fim de março, os comensais podem provar o último menu composto por três formatos: Land & Light, The Final Harvest e Salt & Soil, com foco em produtos portugueses e técnicas nórdicas. O objetivo é encerrar em bom estilo, sem perder o rigor pela qualidade.
O cofre colocado em cada mesa, com informações sobre produtores, permanece como elemento distintivo. A filosofia do Vibe assenta na aplicação de técnicas nórdicas a ingredientes nacionais, incluindo fermentação para reduzir desperdício.
Stanchieri revela que está a explorar novos projetos de negócio com investidores, com foco em estabelecimentos sustentáveis e geração de cash-flow. A prioridade passará pela experiência adquirida, mantendo a qualidade como valor central.
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