- Francisco Machado, de 24 anos, criou jogos na Roblox desde 2017 com o projeto Life in Paradise, que ficou no top 25 da plataforma internacional.
- A Roblox, segundo dados de 2025, tem 144 milhões de utilizadores activos diários, mais 69% que em 2024; em Portugal a plataforma é frequentemente vista como “para crianças”.
- Francisco fundou o Pear Studio em Paços de Ferreira, com colaborações com a Meta, Roblox e artistas, mantendo o projeto ligado a um ecossistema português ainda pouco composto.
- Vasco Soares trabalha remotamente para empresas estrangeiras (Dubit, depois Gamefam) e acredita que há falta de empresas nacionais e salários que retenham talento em Portugal.
- Em Portugal, o setor de videojogos cresceu rápido entre 2018 e 2022 em receita, empresas e empregos, mas ambos defendem que a Roblox é uma engine de jogos completa, não apenas uma plataforma infantil.
Francisco Machado, 24 anos, cresceu ligado aos videojogos desde a adolescência. Aos 13, criou um blogue sobre Club Penguin que ganhou seguidores e milhões de visualizações, mas aos 15 mudou de direção em busca de novos desafios criativos.
Em Paços de Ferreira, o jovem revelou que chegou a tentar uma versão inspirada em Club Penguin com coalas, mas desistiu devido a custos e falta de investimento. Aos 17 descobriu a Roblox, que lhe abriu portas sem exigir grandes infraestruturas.
Em 2017 lançou o primeiro projeto de roleplay, Life in Paradise, que entrou rapidamente no top 25 da Roblox. O êxito levou-o a abandonar o projecto inicial, mantendo apenas a produção como parte de um caminho criativo.
Pear Studio: um estúdio português na Roblox
Em Paços de Ferreira, Francisco criou a Pear Studio, com colaborações com Meta, Roblox e artistas. O espaço destaca-se pela cultura Roblox, com bonecos, stickers e troféus que refletem a identidade do estúdio, ainda pouco acompanhado em Portugal.
Numa plataforma que cresce globalmente, Francisco diz que a Roblox é uma engine completa, não apenas um espaço infantil. Define o mercado como desafiante, mas com oportunidades para criadores que monetizem bem os seus projetos.
Vasco Soares: programadores portugueses trabalham remotamente
Vasco Soares entrou na Roblox aos 11 anos, desenvolvendo o primeiro jogo por volta dos 16. Aprendeu sobretudo por prática, com recursos em inglês e pouca oferta local de formação em jogos.
Durante o curso universitário, Vasco percebeu a fragilidade do mercado nacional: poucas oportunidades e salários baixos. Seguiu para a Dubit, no Reino Unido, e hoje trabalha remotamente para a Gamefam, com clientes internacionais, a partir do Japão.
Contexto global e português
A Roblox teve 144 milhões de utilizadores ativos diários em 2025, com forte expansão na Ásia e na Europa. Em 2022, dados do INE indicaram crescimento económico do setor de videojogos em Portugal, com mais de 500 empregos e 114 empresas no sector.
Francisco e Vasco destacam a falta de reconhecimento nacional da Roblox como ferramenta de criação, não apenas como jogo infantil. Acrescentam a ausência de empresas nacionais que retenham talento em Portugal.
Desafios e caminho
Ambos sustentam que muitos programadores nacionais trabalham remotamente para o estrangeiro ou saem da indústria. Destacam que não é necessário criar grandes jogos para viver da Roblox; um projeto bem monetizado com alguns milhares de jogadores ativos já basta.
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