- Pais russos recusam dar brinquedos com temática militar aos filhos, apesar da oferta existente nas lojas e da participação do Exército russo na produção.
- Em Moscovo, há menos procura por brinquedos de guerra, enquanto lojas fora da zona central parecem ter mais itens relacionados com a guerra.
- O mercado russo tem visto aumento de brinquedos de construção inspirados em tanks e drones, com marcas nacionais e chinesas a dominar devido às sanções e saída de empresas ocidentais.
- O Exército russo mantém a sua própria linha de brinquedos, incluindo armas de brincar e outros produtos para crianças.
- Organizações federais como Yunarmiya, Rosspatriotsentr e o Movimento Escolar Russo promovem educação militar entre crianças, com iniciativas de formação e bolsas de estudo; há acusações sobre recrutamento em territórios ucranianos ocupados.
Na Rússia, o tema de brinquedos com temática militar voltou a surgir, mas os pais revelam resistência em oferecer este tipo de artigos aos filhos, mesmo com a presença de uma linha de produtos do Exército no mercado. O fenómeno ocorre num contexto de forte propaganda e de isolamento económico. A notícia chega numa altura em que as lojas de brinquedos mantêm secções dedicadas a armas de brincar, muitas associadas a marcas nacionais.
Em Moscovo e nos arredores, as lojas com presença de artigos bélicos registam ainda oferta significativa, sobretudo de modelos de construção de veículos militares. Contudo, vários vendedores indicaram uma retração na procura, com algumas lojas a notar queda de interesse nos brinquedos de temática militar em comparação com o passado recente.
A rede de retalho local passa por mudanças: uma loja que antes fazia parte de uma cadeia britânica foi vendida no início do conflito na Ucrânia, o que pode ter influenciado as escolhas de stock e a perceção pública sobre estes produtos. Segundo fontes citadas, a população mostra cansaço face ao tema da guerra.
Para além do setor privado, o Exército russo também mantém a sua própria linha de brinquedos, com armas de brincar e outros itens para crianças, usados para propósitos de educação cívica e recreativa, de acordo com o material disponível no mercado.
Na produção de brinquedos de construção, várias fabricantes nacionais e chinesas ocuparam lugar de relevo após as sanções internacionais de 2022, com marcas como Brick Labs, Igrolend e Bondibon a dominarem o segmento de construção de modelos militares, incluindo drones e tanques.
Apesar da presença de modelos com ligação a conflitos, as opções de ficção tradicional também ganharam espaço, com uma linha de blocos que apresenta figuras do folclore russo, como Baba Yaga e cavaleiros, numa tentativa de diversificar o catálogo para crianças.
À semelhança do que se verifica noutros países, as autoridades russas promovem atividades de educação cívica e militar para menores, através de entidades como Yunarmiya, Rosspatriotsentr e o Movimento Escolar Russo, que organizam desportos, acampamentos e cursos com conteúdos de segurança.
Relatórios indicam que estas organizações promovem programas que incluem primeiros socorros, bem como instruções básicas sobre procedimentos de conflito e montagem de equipas de defesa. A Yunarmiya anunciou, em dezembro, ter treinado cerca de 2 milhões de crianças.
Em zonas ocupadas pela Rússia na Ucrânia, há relatos, segundo a BBC, de coerção de crianças para se associarem a movimentos pró-guerra, com benefícios como refeições melhores e notas mais altas, num ambiente de pressão social e política.
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