- Matilda, nome artístico de Matilde, estreou-se a solo com o disco De Corpo Inteiro, explorando vulnerabilidade, feminilidade, memória e saudade.
- O trabalho é inspirado na sua vida e na necessidade de falar a verdade sobre quem é, sem se encaixar nos outros.
- Vem numa altura em que reconhece ter tido de lidar com a pressão de agradar aos outros, passando pela fase de encontrar a própria identidade.
- Cresceu num meio artístico, é bisneta de Lucília do Carmo e neta de Carlos do Carmo, mas prefere seguir o seu caminho musical fora do fado tradicional.
- O início da carreira contou com apoio de Paulo Gonzo, que a convidou a gravar após um diálogo com o avô, ajudando-a a dar um passo decisivo.
Matilda, neta de Carlos do Carmo, estreia-se com o disco De Corpo Inteiro, gravado aos 31 anos. O trabalho revela uma viagem emocional que cruza vulnerabilidade, feminilidade e memória, num registo que a artista define como uma forma de se manter fiel a si mesma.
O álbum nasceu de uma busca pela verdade pessoal de Matilde, que preferiu adotar o cognome artístico Matilda inspirado numa personagem de cinema. O objetivo foi partilhar histórias de amor, desamores e amor próprio com uma linguagem honesta.
A cantora descreve que, durante anos, viveu sob o foco do que os outros esperavam. A experiência de perder pessoas próximas reforçou a necessidade de encontrar a própria voz, transformando esse processo num eixo central do novo trabalho.
De Corpo Inteiro assinala uma fase de transformação, com canções que abordam relações românticas, o amor pela família e o amor pela vida. A artista pretende que cada tema resulte numa reflexão universal, sem rodeios.
Filha de um meio musical marcante, Matilda cresceu entre artistas e referências culturais, o que lhe conferiu uma formação sólida. Ainda assim, adianta que só recentemente sentiu que estava pronta para partilhar as suas verdades.
O momento de confirmação surgiu há dois ou três anos, quando percebeu que a música poderia salvá-la de momentos inquietantes. Esse despertar levou à concretização do disco, descrito pela artista como um primeiro passo de uma trajetória de mudança.
Apesar de ter raízes no fado, Matilda opta por seguir um caminho próprio. Admitiu já ter sido convidada para cantas de fado, mas prefere explorar estilos que a identifiquem de forma diferenciada, sem negar a herança de família.
A infância foi descrita como feliz, com uma educação fundamentada em cultura, poesia e outras artes. As memórias mais marcantes incluem o convívio com o avô, momentos de diálogo e carinhos partilhados.
Aos 12 ou 13 anos, Matilda pode ter a sua primeira experiência de palco, num cruzeiro do fado, ao interpretar Rosa Branca ao lado do avô. Mais tarde, atuou com a irmã em bares, cantando covers e ganhando experiência prática.
Além da música, a artista também explorou o jornalismo, trabalhando na CNN e na SIC Notícias. Confessa que a comunicação de histórias a atraiu, mas a música acabou por se revelar a vocação principal.
Foi público que Paulo Gonzo teve papel relevante no início da carreira. O avô pediu a aproximação do músico para estimular a jovem cantora, que teve a oportunidade de gravar e interpretar uma faixa que lhe marcou a estreia.
Sobre as expetativas do público, Matilda admite que a perceção de ser filha de Carlos do Carmo pode existir, mas assegura que o seu caminho se distingue pela autenticidade do que faz. A meta é mostrar quem é de facto, não apenas a herança.
Perfil da artista
Matilde, dupla neta de fadistas, assume um universo próprio na música, afirmando que o seu percurso se fixa na expressão da verdade e na construção de uma identidade singular.
Perspetivas para o futuro
O lançamento de De Corpo Inteiro marca o início de uma nova fase criativa, com a artista a preparar projetos que amplifiquem a sua visão musical sem abandonar a herança que a rodeia.
Entre na conversa da comunidade