- Artistas da nova geração vivem entre os algoritmos, as stories e os palcos, num dilema entre estar nas redes ou manter a música como foco.
- Mariana Vargas lançou o single Reza a Santo António, após meses a partilhar vídeos, e é também parte da editora Saliva Diva.
- Os envolvidos destacam vantagens das redes (democratização, alcance) mas alertam para a dependência, já que o conteúdo pode não chegar a todos devido aos algoritmos e à pressão de estar sempre online.
- O streaming continua a ser a principal fonte de rendimento, e editoras podem usar as redes para promover artistas com maior alcance prévio.
- Vários artistas defendem equilibrar criatividades: fugir ao ritmo do algoritmo com newsletters ou comunicação mais direta, sem deixar de considerar que a música permanece o núcleo do trabalho.
Entre algoritmos, stories e palcos, artistas da nova geração enfrentam o dilema de estar online ou desaparecer. O tema ganha ainda mais relevância quando se olha para quem cria conteúdo e quem o consome.
Mariana Vargas, conhecida também como Mariana & os Dramas, tornou-se famosa pela presença nas redes antes do single. Em setembro lançou Reza a Santo António, um indie rock que bebe da tradição Riot grrrl. Ela atua ainda na editora Saliva Diva.
A ligação às artes vem de longe: o ballet aos três anos e a vontade de criar música em nome próprio. O percurso inclui partilha de conteúdos que mostram concertos, festivais pequenos e descobertas fora do radar. O projeto ganha vida através do apoio informal.
Além da música, Mariana destaca a democratização da comunicação como vantagem de existir online. A artista observa que a autonomia criativa e o controlo sobre o conteúdo aumentam quando não se depende de uma grande editora. No entanto, o peso da presença digital traz responsabilidades.
A visão de João Maia Ferreira, rapper anteriormente conhecido como Benji Price, é mais crítica: o alcance online é grande, mas depende de algoritmos que determinam quem vê o conteúdo. O músico sublinha que o panorama atual é radicalmente diferente do início da carreira, com a viralidade mais rápida e menos previsível.
A dependência de plataformas é ampliada pela forma como as editoras e as redes promovem lançamentos. O streaming continua a ser a principal fonte de rendimentos, ainda que existam ganhos também com formatos físicos. A linha entre artista e influencer torna-se mais ténue.
Para muitos criadores, a gestão de várias frentes — música, promoção digital e relações com fãs — consome tempo e energia. Afonso Mateus defende que os artistas devem proteger o espaço criativo, evitando que o ritmo das plataformas dite a produção musical.
A presença digital também afeta a vida pessoal. Catarina Filipe ressalva a importância de manter tempo para relações e experiências fora do trabalho, para sustentar a criatividade. A experiência prática mostra que o equilíbrio entre obra e divulgação é essencial.
Apesar da vontade de desligar, muitos reconhecem que abandonar as redes seria inviável do ponto de vista profissional. Afonso sugere, em alternativa, reduzir a dependência do algoritmo através de newsletters e de uma comunicação mais direta com o público.
Em conjunto, os artistas afirmam que a criação artística continua a ser o eixo central. As redes podem ampliar o alcance, mas a música permanece como o elo que sustenta a ligação com o público, mesmo diante de mudanças rápidas no cenário digital.
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