- FMI KAPA apresenta um espectáculo que resulta do monólogo cadenciado de José Mário Branco, sobre comunidades empurradas para as margens em tempos de desespero.
- João Branco e Xullaji desenvolveram a partir desse trabalho uma encenação que parte da memória de quem vive à margem.
- A narrativa situa-se em Paris, na Estação de Austerlitz, no início da década de setenta.
- Grande parte dos emigrantes portugueses era pobre ou remediada, fugindo à miséria, à perseguição política ou à Guerra Colonial, e fixou-se nos arredores, em bidonvilles.
- A memória dessa presença fica nas músicas de José Mário Branco, que em exílio integrou-a na obra Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades (1971), aberta pelo som dos comboios e pela atividade na gare.
O espectáculo FMI KAPA traz à luz a relação entre periferia e mudanças sociais. Partindo do trabalho de José Mário Branco, João Branco e Xullaji apresentam um diálogo criativo sobre comunidades marginais em períodos de crise.
A produção é inspirada no “monólogo cadenciado, ritmado” do músico e poeta José Mário Branco. A montagem utiliza memória ligada à emigração de portugueses nos anos 70, explorando a sensação de deslocamento e invisibilidade.
A referência cruza-se com o ambiente de Paris, na Estação de Austerlitz, onde muitos deslocados procuravam abrigo e oportunidades. A cena revela o som das carruagens, avisos e o burburinho da gare, elementos que marcaram o nascimento do projeto.
O material base surge do álbum Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades, lançado em 1971. A obra de Branco documenta as condições de vida de comunidades que se fixaram em bidonvilles e arredores da capital francesa.
João Branco e Xullaji trabalham a partir desta memória para discutir o peso da deserção e da ausência de oportunidades. O objetivo é oferecer uma leitura contemporânea sobre a marginalização.
O projecto busca, assim, apresentar uma perspetiva histórica sem recorrer a interpretações subjetivas. A leitura enfatiza dados e contextos que ajudaram a moldar a identidade de uma geração.
A apresentação mantém o enfoque na expressão dos tempos que mudam, mesmo quando as vontades parecem pequenas ou inertes. O público fica com uma visão crítica sobre a gestão da memória coletiva.
Entre na conversa da comunidade