- A plataforma OHANG, de acesso aberto, pretende preservar e catalogar música tradicional uzbeque, reunindo melodias, gravações de instrumentos e amostras sonoras para uso livre por criadores.
- O projeto iniciou-se com expedições de campo em Tashkent e arredores, registando músicos tradicionais e artesãos de instrumentos; as gravações foram concluídas em estúdio.
- O arquivo final inclui 24 instrumentos tradicionais e mais de 200 amostras sonoras, entre eles o gajir nay e a surnay.
- A prioridade foi capturar o som autêntico dos instrumentos, evitando alterações indevidas na pós-produção.
- O lançamento está previsto para junho, com expansão contínua pelo Uzbequistão e perspetivas de colaboração internacional, remixagens e festival de música eletrónica.
O Uzbequistão lança uma plataforma de acesso aberto que digitaliza melodias tradicionais e instrumentos centenários. O objetivo é preservar e tornar acessíveis sons que estiveram ausentes das grandes bibliotecas de áudio durante décadas, conectando criadores atuais com raízes culturais.
A iniciativa chama-se Ohang e surge para catalogar músicas tradicionais do Uzbequistão, gravando instrumentos e melodias para uso livre por criadores. A plataforma pretende preencher lacunas de acesso e evitar confusões entre termos locais e referências regionais, fortalecendo a relação com o património imaterial.
A equipa envolvida explica que o projeto não apenas conserva, mas também facilita o estudo e a divulgação de sons pouco documentados. O objetivo é que o público encontre facilmente conteúdos autênticos ligados à cultura uzbeque, especialmente entre jovens.
O projeto iniciou com expedições de campo em Tashkent e áreas vizinhas, envolvendo oficinas, aldeias isoladas e estúdios. Consultaram músicos tradicionais e artesãos de instrumentos para recolha de material sonoro.
As gravações, realizadas num estúdio profissional, incluem 24 instrumentos tradicionais e mais de 200 amostras sonoras. Entre os materiais destaca-se o gajir nay, um sopro fabricado a partir de osso de ave, usado historicamente em zonas montanhosas.
Também foram registadas melodias de surnay que não eram tocadas há quatro a cinco décadas, bem como padrões regionais de sibizga, doira e tradições de percussão de Bukhara. Parte deste material foi reconstruída durante o trabalho de campo.
A preservação manteve-se como prioridade: os técnicos de som procuraram conservar o timbre autêntico dos instrumentos durante a gravação, evitando alterações significativas na sonoridade original.
A plataforma OHANG será gratuita e sem subscrições. O acesso é livre para download e uso em video, cinema, publicidade ou música, com restrições apenas quanto à revenda de conteúdos não alterados.
Os promotores destacam o equilíbrio entre acessibilidade e respeito cultural, para evitar usos indevidos que distorçam o património. A licença pública permitirá reutilizações variadas sem barreiras financeiras.
O lançamento oficial está previsto para junho, com as primeiras gravações já da região de Tashkent. O catálogo deverá expandir-se posteriormente para cobrir todo o Uzbequistão.
A equipa antecipa fases de expansão e novas expedições, ampliando o arquivo conforme surgem interesse e parcerias. A visão é transformar o espaço num polo criativo, com remisturas e conteúdos gerados por utilizadores.
Os responsáveis consideram ainda a possibilidade de um festival de música eletrónica que releve estas sonoridades tradicionais. A ideia é promover colaborações entre músicos tradicionais e produtores modernos.
Planos para participação internacional também estão em análise, visando transformar a plataforma numa referência de intercâmbio cultural entre gerações e regiões.
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