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Eno, Gabriel e músicos portugueses pedem boicote à Eurovisão por Israel

Artistas portugueses e nomes internacionais pedem boicote à Eurovisão por Israel; carta defende banimento da emissora israelita Kan, com o festival em Viena de 12 a 16 de maio

Protestos em 2019 contra a realização de uma semifinal da Eurovisão em Telavive
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  • Uma carta aberta internacional pede o boicote à Eurovisão devido à manutenção de Israel no concurso, expressando apoio ao boicote até que a emissora israelita Kan seja banida; organizadora é a iniciativa No Music For Genocide.
  • A carta surge com o apoio de músicos de renome internacional e centenas de artistas portugueses, incluindo ex-participantes no Festival da Canção e na Eurovisão.
  • Assinam-se nomes como Carlos Mendes, Cláudia Pascoal, Iolanda, Ana Bacalhau, Filipe Sambado, Jorge Palma, Mayra Andrade, Selma Uamusse e muitos outros.
  • A Eurovisão decorre entre 12 e 16 de maio em Viena, no Wiener Stadthalle, e é salientado que Espanha, Irlanda, Islândia, Eslovénia e Países Baixos se retiraram este ano em protesto; os vencedores do Festival da Canção foram os Bandidos do Cante.
  • A carta critica a União Europeia de Radiodifusão pela perceção de hipocrisia perante os crimes em Gaza, defendendo ação coletiva e recusando participação na próxima edição do concurso.

Uma carta aberta internacional apoia o boicote à Eurovisão devido à manutenção de Israel no festival. A iniciativa No Music For Genocide, lançada em 2023, reúne músicos de várias áreas e pede aos profissionais para bloquearem a sua música em Israel e apoiarem o boicote.

No lote de signatários aparecem nomes de peso como Brian Eno, Peter Gabriel, Massiv Attack, Sigur Rós, Ana Bacalhau, Cláudia Pascoal, Jorge Palma e Mayra Andrade. Centenas de artistas portugueses apoiam a campanha, sendo o país com maior número de assinaturas entre os signatários internacionais.

A carta, divulgada nesta terça-feira, afirma que a Eurovisão celebra Israel apesar do conflito em Gaza. Os signatários defendem que a emissão não deve normalizar o que descrevem como genocídio, cerco e ocupação, e pedem a retirada de emissoras de Israel do concurso.

A missiva registra a solidariedade com os apelos palestinianos para que emissoras públicas, artistas, organizadores de visionamentos e fãs boicotem a Eurovisão até que a emissora israelita Kan seja banida. Entre os apoiantes aparecem artistas que já participaram no Festival da Canção de Portugal e alguns que já integramam a Eurovisão.

Os signatários destacam também o facto de Espanha, Irlanda, Islândia, Eslovénia e Países Baixos terem se retirado da Eurovisão este ano em protesto. Eles mencionam que muitos finalistas nacionais teriam prometido recusar a participação, comparando a situação atual a lutas históricas pela justiça social.

Os organizadores da carta lembram uma histórica ação internacional contra a segregação e encurralamento de populações, afirmando que a música pode mover contestação e exigir responsabilidade. A mensagem afirma que o silêncio é uma forma de cumplicidade e que a recusa de participação é uma forma de ação coletiva.

O Festival da Canção foi vencido pelos Bandidos do Cante, que não apoiam o boicote à Eurovisão. A carta também cita ações institucionais, questionando a forma como a União Europeia de Radiodifusão tem avaliado conflitos diferentes, com referência a Gaza e à Cisjordânia.

A Eurovisão de 2026 decorre entre 12 e 16 de maio no Wiener Stadthalle, em Viena. A competição continua sob a égide de uma parceria com a marca Moroccanoil, principal patrocinadora desde 2020.

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