- Um estudo publicado a 10 de junho na Nature Climate Change conclui que o aquecimento de origem humana tornou 12 vezes mais provável cheias costeiras raras desde a década de sessentas.
- Cheias extremas, antes pouco frequentes em zonas costeiras, passam a ocorrer com maior regularidade devido ao aumento do nível do mar e a marés de tempestade, ampliando o risco de inundações.
- Os cientistas analisaram registos de marégrafos de mais de 100 locais entre 1900 e 2005; os resultados atuais podem subestimar o risco, já que a influência humana tem aumentado desde então.
- Uma segunda pesquisa, publicada na Science Advances, aponta que alterações climáticas explicam cerca de 58 por cento dos dias com grandes cheias entre 2000 e 2018, quase triplicando os dias de mar alto desde os anos setenta.
- A queima de combustíveis fósseis surge como fator dominante na subida do nível do mar, levando a recomendações para reforçar proteções costeiras e planear custos e responsabilidades.
Desde a década de 1960, o aquecimento induzido pelo homem tem sido a principal razão para a subida do nível do mar, indicam novas investigações. Cheias extremas em zonas costeiras, antes raras, passam a ocorrer com maior frequência conforme o planeta aquece.
Um estudo publicado a 10 de junho na Nature Climate Change aponta que inundações costeiras raras ficam, em média, 12 vezes mais prováveis devido ao aquecimento humano. As cheias continuam a ameaçar milhões de pessoas em áreas de baixa altitude.
Os cientistas analisaram registos de marégrafos em mais de 100 locais e modelos climáticos para a evolução entre 1900 e 2005, admitindo que o período limitado pode subestimar o risco atual. As alterações climáticas foram identificadas como o principal motor desde a década de 1960.
Estudo e evidências
A equipa distinguiu efeitos humanos, forças naturais e mudanças na paisagem. Concluiu que, desde os anos 60, o aquecimento global provocado pela atividade humana é a principal razão para a subida do nível do mar. O trabalho realça ainda a importância de planeamento de proteções costeiras.
Outro estudo, na Science Advances, reforça que cerca de 58% das grandes cheias entre 2000 e 2018 resultaram de alterações climáticas. O documento indica ainda que a frequência de dias com cheias extremas quase triplicou desde os anos 1970.
Segundo Ben Strauss, da Climate Central, quase todas as cheias costeiras atuais levam a marca humana, através da subida do nível do mar. Sem esse contributo, a maioria destes episódios não provocaria inundações significativas.
Implicações para políticas e infraestruturas
O trabalho da Nature Climate Change não detalha cada fator humano, mas aponta que os gases de efeito de estufa, resultantes da queima de combustíveis fósseis, são determinantes. A equipa sublinha que o fator dominante tem sido a partir dos anos 1970.
Para especialistas externos, as conclusões ressaltam a necessidade de planeamento financeiro para reforçar a proteção costeira. As autoridades devem avaliar custos, vigilância e prioridades de investimento em defesa costeira.
Os cientistas lembram que cidades como Nova Orleães podem ver as defesas atuais tornar-se inadequadas nas próximas décadas. A transição para energias renováveis ganha impulso globalmente, com a produção de eletricidade limpa a superar, em 2025, a procura por energia fóssil pela primeira vez.
Apesar do otimismo sobre avanços energéticos, os investigadores destacam que o mundo não atingiu ainda o cenário mais favorável de aquecimento. O foco permanece em reduzir emissões para travar o aumento do nível do mar e as cheias associadas.
Os autores enfatizam que existe margem de ação para mitigar impactos. Reduções nas emissões de gases com efeito de estufa podem, em parte, limitar o crescimento futuro das inundações costeiras.
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