Em Alta Copa do Mundo futeboldesportoPortugalinternacionaisgoverno

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Aquecimento global de origem humana aumenta 12x inundações costeiras raras

Aquecimento humano torna cheias costeiras raras 12 vezes mais prováveis, impondo mudanças na proteção e no planeamento das zonas costeiras

ARQUIVO - Ondas atingem a praia onde ainda restam ruínas da casa de família de Afeli Bernice Adzo, destruída pela erosão costeira em Avegadzi, Gana, em 5 de março de 2025
0:00
Carregando...
0:00
  • Um estudo publicado a 10 de junho na Nature Climate Change conclui que o aquecimento de origem humana tornou 12 vezes mais provável cheias costeiras raras desde a década de sessentas.
  • Cheias extremas, antes pouco frequentes em zonas costeiras, passam a ocorrer com maior regularidade devido ao aumento do nível do mar e a marés de tempestade, ampliando o risco de inundações.
  • Os cientistas analisaram registos de marégrafos de mais de 100 locais entre 1900 e 2005; os resultados atuais podem subestimar o risco, já que a influência humana tem aumentado desde então.
  • Uma segunda pesquisa, publicada na Science Advances, aponta que alterações climáticas explicam cerca de 58 por cento dos dias com grandes cheias entre 2000 e 2018, quase triplicando os dias de mar alto desde os anos setenta.
  • A queima de combustíveis fósseis surge como fator dominante na subida do nível do mar, levando a recomendações para reforçar proteções costeiras e planear custos e responsabilidades.

Desde a década de 1960, o aquecimento induzido pelo homem tem sido a principal razão para a subida do nível do mar, indicam novas investigações. Cheias extremas em zonas costeiras, antes raras, passam a ocorrer com maior frequência conforme o planeta aquece.

Um estudo publicado a 10 de junho na Nature Climate Change aponta que inundações costeiras raras ficam, em média, 12 vezes mais prováveis devido ao aquecimento humano. As cheias continuam a ameaçar milhões de pessoas em áreas de baixa altitude.

Os cientistas analisaram registos de marégrafos em mais de 100 locais e modelos climáticos para a evolução entre 1900 e 2005, admitindo que o período limitado pode subestimar o risco atual. As alterações climáticas foram identificadas como o principal motor desde a década de 1960.

Estudo e evidências

A equipa distinguiu efeitos humanos, forças naturais e mudanças na paisagem. Concluiu que, desde os anos 60, o aquecimento global provocado pela atividade humana é a principal razão para a subida do nível do mar. O trabalho realça ainda a importância de planeamento de proteções costeiras.

Outro estudo, na Science Advances, reforça que cerca de 58% das grandes cheias entre 2000 e 2018 resultaram de alterações climáticas. O documento indica ainda que a frequência de dias com cheias extremas quase triplicou desde os anos 1970.

Segundo Ben Strauss, da Climate Central, quase todas as cheias costeiras atuais levam a marca humana, através da subida do nível do mar. Sem esse contributo, a maioria destes episódios não provocaria inundações significativas.

Implicações para políticas e infraestruturas

O trabalho da Nature Climate Change não detalha cada fator humano, mas aponta que os gases de efeito de estufa, resultantes da queima de combustíveis fósseis, são determinantes. A equipa sublinha que o fator dominante tem sido a partir dos anos 1970.

Para especialistas externos, as conclusões ressaltam a necessidade de planeamento financeiro para reforçar a proteção costeira. As autoridades devem avaliar custos, vigilância e prioridades de investimento em defesa costeira.

Os cientistas lembram que cidades como Nova Orleães podem ver as defesas atuais tornar-se inadequadas nas próximas décadas. A transição para energias renováveis ganha impulso globalmente, com a produção de eletricidade limpa a superar, em 2025, a procura por energia fóssil pela primeira vez.

Apesar do otimismo sobre avanços energéticos, os investigadores destacam que o mundo não atingiu ainda o cenário mais favorável de aquecimento. O foco permanece em reduzir emissões para travar o aumento do nível do mar e as cheias associadas.

Os autores enfatizam que existe margem de ação para mitigar impactos. Reduções nas emissões de gases com efeito de estufa podem, em parte, limitar o crescimento futuro das inundações costeiras.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais