- A maior reserva de águas subterrâneas da Europa fica entre Frankfurt e Basileia, estendendo-se por cerca de três centenas de quilómetros no subsolo.
- O aquífero, com cerca de 150 mil milhões de metros cúbicos de água, fornece água potável a quase cinco milhões de habitantes da região.
- Em estudo publicado em junho, a reserva foi fortemente contaminada por micropoluentes, incluindo pesticidas, resíduos de medicamentos e PFAS.
- Em 59 por cento dos 1.500 pontos de medição, foi ultrapassado pelo menos um valor-limite para água potável, com o ácido trifluoroacético (TFA) entre os poluentes mais presentes.
- Além da contaminação química, destacam-se impactos ecológicos e a presença de um crustáceo subterrâneo, Parabathynella baden-wuerttembergensis, que desempenha um papel de limpeza no ecossistema do aquífero.
A maior reserva de águas subterrâneas da Europa está sob a região entre Frankfurt, na Alemanha, e Basileia, na Suíça, estendendo-se até Estrasburgo, em França. O aquífero alimenta o Alto Reno e abastece mais de cinco milhões de pessoas, além de sustentar ecossistemas locais.
Um estudo transfronteiriço, publicado em junho, revela contaminação generalizada neste recurso. Produtos fitofarmacêuticos, resíduos de medicamentos e substâncias PFAS foram detetados ao longo de cerca de 300 quilómetros de solo saturado.
O aquífero, com cerca de 150 mil milhões de metros cúbicos, é decisivo para o fornecimento de água potável e para habitats de várias espécies. A pesquisa ERMES-II aponta pressão ambiental crescente, ligada a atividades humanas na região.
Contaminação e padrões de qualidade
Em 96 por cento dos 1 500 pontos de medição ao longo do Reno, entre o sul da Alemanha, o norte da Suíça e o leste de França, foi identificado pelo menos um micropoluente. Pesticidas lideram as ocorrências, seguidos de resíduos urbanos e industriais.
O estudo indica que 59 por cento dos pontos extrapolaram um ou mais limites para água potável. Entre os contaminantes, o ácido trifluoroacético (TFA) aparece com maior frequência, sendo considerado um PFAS dominante.
Os PFAS, designados “químicos eternos”, são usados em diversas indústrias. O conjunto de substâncias pode interagir, gerando um efeito cocktail que pode aumentar a toxicidade mesmo em concentrações baixas. O impacto para a saúde permanece em estudo.
A água bruta extraída do aquífero passa por tratamento específico antes de chegar às torneiras. A qualidade da água subterrânea determina quão intensivo deve ser o processamento de tratamento de água potável.
Impacto ecológico e monitorização
A região depende do aquífero não apenas para consumo humano, mas também para a vida selvagem. Entre as descobertas, destaca-se a presença de Parabathynella baden-wuerttembergensis, crustáceo subterrâneo que vive no aquífero e contribui para a decomposição de matéria orgânica.
Investigadores avançam que a preservação do sistema passa por estratégias para reduzir a carga de poluentes. A equipa de estudo recomenda monitorização contínua e medidas para mitigar a contaminação, sem detalhar políticas específicas.
Dirk Grünhoff, presidente da Agência Regional do Ambiente da Renânia-Palatinado, sublinha que os resultados fornecem base para enfrentar os desafios. A autoridade ressalta a necessidade de ações consistentes para proteger o aquífero e reduzir riscos à saúde pública.
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