- O documentário Gorringe, o Gigante do Atlântico, de Nuno Sá, mostra a área a cerca de 222 quilómetros a sudoeste do cabo de São Vicente, com águas claras e florestas de algas visíveis a grandes profundidades.
- Foi descoberto no Gorringe um berçário de tremelgas (raías eléctricas), todas fêmeas grávidas, numa formação de várias mulheres sobre o fundo marinho.
- A zona é descrita como um ecossistema prístino, mas com desequilíbrios devido à pesca predadora e à ausência de tubarões no topo da cadeia alimentar.
- O Gorringe está incluído na reserva natural marinha D. Carlos, em avaliação, com área de 173 mil quilómetros quadrados, embora haja dúvidas sobre a proteção efetiva frente a práticas de pesca incompatíveis com conservação.
- Pescadores relatam queda da atividade no local e houve preocupação com a continuidade de pesca de alto valor, especialmente palangre, que pode impactar várias espécies marinhas.
Gorringe, o gigante submerso, ganha protagonismo num documentário da SIC que será exibido este domingo, às 12h. A peça mostra o que se passa no longo recife submerso a cerca de 222 quilómetros a sudoeste do Cabo de São Vicente, no Atlântico. O foco é a fauna, a geologia e a importância ecológica desta montanha submarina.
As imagens destacam a clareza da água e a densidade de vida, com florestas de laminárias visíveis a grandes profundidades. O documentário, criado a partir de uma missão científica de setembro de 2024, envolve o Estado português, a Fundação Oceano Azul e instituições internacionais.
Um dos grandes mistérios expostos é a aglomeração de tremelgas, ou raias eléctricas, todas fêmeas e grávidas. Este berçário jamais tinha sido descrito em qualquer outra região, revelando um comportamento reprodutivo único no Atlântico.
A equipa de filmagem descreve o Gorringe como um ecossistema prístino, onde o fundo serve de abrigo a diversas espécies, sem sinais de invasoras. Contudo, a área sofre com a diminuição de predadores de topo, resultado da pesca desregulada, o que coloca o equilíbrio em risco.
O Gorringe integra o projeto da Reserva Natural Marinha D. Carlos, extensa como quase o dobro da área continental de Portugal. O processo de consulta pública ocorreu no início do ano, mas já suscitou recomendações para uma revisão por parte do CNADS, que aponta falhas na proteção efetiva dos valores naturais.
Especialistas distinguem entre o valor científico e o risco de pesca contínua na região. Mesmo com a proposta de proteção, persiste o debate sobre a efetividade de medidas que imponham restrições à atividade pesqueira, essencial para a preservação do ecossistema.
Entre os dados recolhidos, destacam-se a presença de golfinhos e de baleias em atividade, bem como a abundância de espécies associadas às rochas submarinas. A pesquisa também aponta para a importância dos montes submarinos como estacões de passagem para várias espécies marinhas.
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