- Estudo liderado pela Universidade de Oxford e pelo University College London avaliou mais de 140 mil instalações de energia solar fotovoltaica a nível mundial, usando dados de satélite e de poluição do ar.
- Em 2023, a poluição por aerossóis de centrais a carvão reduziu a produção solar em 5,8 %, correspondendo a 111 terawatts-hora perdidos.
- Entre 2017 e 2023, as novas instalações fotovoltaicas acrescentaram em média 246,6 TWh/ano, enquanto as perdas associadas aos aerossóis nos sistemas existentes atingiram 74 TWh/ano.
- Os investigadores defendem uma “interação não reconhecida” entre o uso de combustíveis fósseis e energias renováveis, em que as emissões afetam diretamente o desempenho da produção solar.
- Na China, maior fabricante de energia solar, as perdas por aerossóis atingiram 7,7 %, e estima-se que cerca de 29 % dessas perdas se devam às centrais a carvão.
A poluição associada à combustão de carvão está a reduzir a produção de energia solar fotovoltaica a nível global. Um estudo coordenado pela Universidade de Oxford e pelo University College London avaliou mais de 140 000 instalações de solar PV em todo o mundo, com dados de satélite e de qualidade do ar para quantificar as perdas de luz solar e a consequente queda de produção.
A investigação, publicada na Nature Sustainability, analisa como aerossóis suspensos no ar bloqueiam parte da radiação solar que chega aos painéis. Os autores destacam uma interação entre a expansão da energia solar e o aumento das centrais a carvão, que altera o regime de radiação e reduz a eficiência dos sistemas fotovoltaicos.
Entre 2017 e 2023, as novas instalações fotovoltaicas geraram em média 246,6 TWh por ano, enquanto as perdas associadas aos aerossóis nos sistemas existentes atingiram 74 TWh anuais. Em 2023, a poluição do carvão reduziu cerca de 5,8% da eletricidade solar global, o que equivale a 111 TWh.
Impacto na produção solar
Os investigadores concluem que a poluição reduz a produção solar de forma significativa especialmente onde novas capacidades de carvão e solar crescem em paralelo. O estudo sublinha que a poluição não apenas bloqueia a luz, mas também pode influenciar o comportamento das nuvens, agravando as perdas.
O trabalho afirma que o efeito pode ser maior do que os números diretos sugerem, sugerindo uma sobrestimulação da capacidade de renováveis se não se controlar a poluição associada ao carvão. O autor principal, Rui Song, defende políticas que considerem este impacto oculto.
Regiões e cenários
A China é um caso emblemático: é o maior produtor de energia solar mundial, com 793,5 TWh em 2023, mas registou perdas de 7,7% na produção global de solar. Dos efeitos globais, cerca de 29% das perdas na China devem-se especificamente às centrais a carvão, segundo os autores.
O estudo recomenda adaptar as políticas energéticas e de subsídios para reflectir este travão à transição energética, evitando que a poluição comprometa ganhos em renováveis. Os autores veem a necessidade de combinar redução de emissões com incentivos que promovam uma transição mais eficiente.
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