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Portugal investe em ouro verde para impulsionar energia limpa

Eucalipto transforma-se em biofábrica: investigação, indústria e floresta criam bioprodutos e embalagens sustentáveis que substituem plásticos

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  • Portugal investe na bioeconomia a partir do eucalipto, ligando floresta, investigação e indústria, com o RAIZ em Aveiro a acelerar o processo.
  • No RAIZ, a madeira de eucalipto é vista como biofábrica capaz de gerar energia, químicos verdes e soluções que substituem recursos fósseis.
  • A pesquisa desenvolve bioprodutos, biocompósitos e bioquímicos a partir da lenhina, explorando aplicações para adesivos, revestimentos e materiais industriais.
  • Prepara-se uma nova geração de e-fuels produzidos com CO₂ biogénico captado nos processos industriais, para reduzir emissões nos transportes.
  • A Navigator inaugurou em Aveiro a fábrica de celulose moldada (2024), produzindo embalagens rígidas, biodegradáveis e recicláveis para substituir plásticos de uso único, com capacidade de cerca de 100 milhões de unidades por ano.

Portugal avança com o eucalipto como recurso-chave da bioeconomia, integrando investigação, indústria e floresta para produzir materiais sustentáveis já disponíveis no mercado. O foco é transformar madeira em bioprodutos renováveis que respondam à escassez de recursos e à descarbonização.

No centro da investigação, o RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e do Papel, em Aveiro, desenvolve aplicações que vão além da fibra. A visão é que o eucalipto possa gerar energia, químicos verdes e soluções para substituir recursos fósseis, desde biocompósitos até bioquímicos derivados da lenhina.

Os laboratórios trabalham ainda em e-fuels produzidos com CO2 biogénico captado nos próprios processos industriais, uma linha que surge como opção para reduzir emissões no transporte. Cada parte da madeira recebe um novo propósito, numa aposta pela total utilização do eucalipto.

Embalagens que substituem plásticos de uso único

Em Aveiro, a Navigator inaugurou em 2024 a fábrica de celulose moldada. A fibra de eucalipto transforma-se em embalagens rígidas, biodegradáveis e recicláveis, destinadas a substituir plásticos de uso único. O portfólio já inclui pratos, tigelas e embalagens para takeaway.

Estas soluções chegam ao consumidor com vantagem de serem seguras, resistentes e com desagregação rápida na natureza. A produção anual atinge cerca de 100 milhões de unidades, colocando Portugal entre os líderes europeus em embalagens sustentáveis.

A empresa destaca que a inovação permite substituir derivados do petróleo com tecnologia 100% portuguesa, incluindo embalagens para carne, peixe e refeições prontas, facilitando a separação de componentes para reciclagem.

Patamar europeu e futuro da bioeconomia florestal

O RAIZ reúne universidades, indústria e novos negócios baseados em fibra natural, acelerando a inovação na bioeconomia florestal. A gestão inteligente da floresta e a digitalização sustentam a modernização da fileira da pasta e do papel.

Catarina Novais, da The Navigator Company, sustenta que Portugal é hoje referência mundial no setor, graças ao modelo de floresta plantada aliado a produtividade e inovação. A visão é expandir valor sustentável para o país, pessoas e planeta.

O contributo da investigação tem permitido abrir portas a novas indústrias, desde cosmética a nutracêuticos, passando por biocompósitos e combustíveis sintéticos. O eucalipto, bem gerido, surge como uma peça central da nova economia baseada na floresta.

O conjunto de iniciativas evidencia Portugal como polo tecnológico em rápido crescimento, com o eucalipto a cumprir um papel estratégico na transição para uma economia mais circular, descarbonizada e menos dependente de recursos fósseis.

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