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Açude de Galachos: betão cedeu, mas barreiras permanecem intactas

A remoção do açude de Galachos, primeira barreira obsoleta removida por iniciativa cívica em Portugal, visa restabelecer o leito e a biodiversidade, gerando debate

O açude de Galachos foi demolido em 2023
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  • O açude de Galachos, na ribeira de Odeleite, foi demolido a partir de março de 2023, tornando-se a primeira barreira fluvial obsoleta removida em Portugal graças a um movimento da sociedade civil apoiado pela WWF.
  • Construído em 2012 pela Câmara Municipal de Alcoutim para rega de pequenas explorações e recarga de lençóis freáticos, o açude tinha um metro de espessura, dois metros de altura e vinte metros de comprimento, mas foi considerado mal executado e sem utilidade prática.
  • A remoção enfrentou controvérsia local e política, com oposição inicial de alguns responsáveis municipais, que mais tarde aceitaram a intervenção após sessões de esclarecimento.
  • A monitorização de espécies de peixes, realizada antes e depois da remoção, mostrou aumento de saramugo e de espécies nativas, sugerindo efeitos positivos na biodiversidade, embora seja necessária uma avaliação de referência mais completa a longo prazo.
  • O caso abriu debate sobre a gestão de barreiras fluviais em Portugal, com pedidos por ações mais sistemáticas, financiamento estável e, noutros casos, até da obrigatoriedade de remoção quando as estruturas já não cumprem a função original.

Açude de Galachos, construído pela Câmara de Alcoutim em 2012, foi demolido em 2023 após ter sido considerado obsoleto. A remoção ocorreu na ribeira de Odeleite, em Galachos, entre Bentos e Várzea, na serra algarvia.

A iniciativa partiu da WWF Portugal, que mobilizou financiamento junto do European Open Rivers Programme para restauro de rios. A autarquia de Alcoutim autorizou a demolição, apoiada por pareceres técnicos.

O objetivo era restabelecer a conectividade fluvial e melhorar a biodiversidade da ribeira de Odeleite, reconhecida como habitat do saramugo e de outras espécies nativas. A ação foi a primeira remoção de barreira fluvial resultante de um movimento cívico em Portugal.

Em curso e impactos

A remoção permitiu a passagem de peixes entre os trechos, com monitorização de espécies pré e pós-demolição. Observou-se aumento de saramugo e de peixes nativos em zonas montante e jusante, comparativamente ao período anterior à remoção.

A execução gerou controvérsia local, com resistência inicial da população e de parte da vereação em 2022. Debate político acentuou-se durante as campanhas autárquicas, envolvendo posições divergentes entre concelhos e partidos.

A gestão ambiental aponta que a remoção das barreiras obsoletas beneficia a qualidade da água, a sedimentação natural e o ecossistema ribeirinho. No entanto, exige monitorização prolongada para confirmar impactos a longo prazo.

O órgão ambiental ICNF participou na avaliação da conectividade fluvial, enquanto a Câmara de Alcoutim destacou a necessidade de estudos antes de futuras demolições. O caso de Galachos serviu de referência para políticas de restauração de rios.

No balanço, quem passa pela antiga área não nota a antiga barreira de betão, mas o leito está mais desanuviado. A renaturalização das margens foi avançada, com melhoria estética e ambiental do percurso ribeirinho.

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