- O maior grupo de chimpanzés do mundo, o Ngogo, vive uma guerra civil no Parque Nacional de Kibale, Uganda, há oito anos, com pelo menos 24 mortes, inclusive crias.
- O estudo, publicado na revista Science e liderado por Aaron Sandel, divide o grupo de mais de 200 animais em área oeste e central, indicando uma cisão ocorrida entre 2015 e 2017.
- A primeira cisão ocorreu em 2015, quando os grupos passaram a evitar-se por um mês e meio, e as interações tornaram-se mais agressivas.
- Os investigadores apontam três possíveis motivos: mortes não explicadas em 2014, mudança de macho-alfa em 2015 e a epidemia respiratória de 2017 que ceifou 25 chimpanzés, afetando as ligações entre eles.
- Os cientistas sugerem que estes comportamentos ajudam a entender dinâmicas de conflitos sem religião ou política, e podem refletir aspetos da evolução humana.
O maior grupo de chimpanzés do mundo está envolvido numa guerra civil no Parque Nacional de Kibale, no Uganda. O estudo, liderado por Aaron Sandel e publicado na revista Science, aponta oito anos de conflito que já causaram pelo menos 24 mortes, incluindo crias.
Os chimpanzés do grupo Ngogo, que já chegaram a caçar em conjunto e defender território, dividiram-se em duas fações distintas. A cisão ocorreu inicialmente em 2015, com interações entre os grupos a intensificarem-se em termos de agressividade quando voltaram a contactar-se.
Segundo os investigadores, o número de baixas pode ser maior do que o contabilizado. O estudo aponta três hipóteses para as causas da desunião, ainda sem certezas, com foco em alterações na estrutura social do grupo.
Causas em estudo
Uma pista remete a 2014, quando morreram cinco machos adultos e uma fêmea por causas desconhecidas, possivelmente fragilizando laços sociais. Em 2015, a mudança de um macho-alfa coincidiu com a separação entre fações e pode ter aumentado a agressividade.
Outra hipótese relaciona-se com uma epidemia respiratória em 2017 que vitimou 25 chimpanzés, incluindo um indivíduo que ligava os dois grupos. Este conjunto de eventos pode ter contribuído para a cisão final.
Entre as conclusões, destacam-se as mudanças nas dinâmicas sociais como drivers potenciais do conflito. Os cientistas sublinham que, mesmo sem religião ou ideologias, as relações interpessoais podem moldar guerras civis entre primatas.
Implicações da investigação
O estudo sugere que o caso dos chimpanzés pode oferecer pistas sobre a evolução de conflitos humanos. Um primatologista não envolvido no estudo afirma que estas guerras civis podem ter ocorrido durante a evolução humana, indicando uma possível continuidade de dinâmicas sociais.
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