- Portugal registou mais de 234 mil postos de trabalho verdes em 2023, com a maior parte concentrada em atividades de mercado.
- Na União Europeia, a economia ambiental cresceu de 3,6 milhões para 5,8 milhões de trabalhadores em tempo integral entre 2014 e 2023, com aumento anual médio de 5,5%; entre 2022 e 2023 houve +4,2%.
- O sector de indústria transformadora é o principal contribuinte em Portugal, com empregos verdes a subir de 43 mil em 2020 para mais de 52 mil em 2023.
- A área de energias renováveis empregou cerca de 21 mil pessoas em 2023 em Portugal, abaixo do pico de 23 mil em 2022; o Plano Nacional de Energia e Clima 2030 aponta metas para 51% de energias renováveis no consumo final até 2030.
- No conjunto agropecuário e de gestão de base territorial, havia mais de 7.300 trabalhadores com fins ambientais em 2023; na UE, gestão de resíduos continua a ser o maior gerador de empregos verdes (1,3 milhões), e a produção da economia ambiental atingiu 1,327 mil milhões de euros, com VAB de 492 mil milhões de euros.
Portugal duplicou os empregos verdes em três anos, de acordo com dados do Eurostat. Em 2023, o país registou mais de 234 mil postos de trabalho dedicados à proteção ambiental e à gestão de recursos naturais. A maior parte está em atividades de mercado.
Os setores científicos e técnicos destacam-se pela maior Value Added na economia ambiental. O conjunto de atividades ambientais tem mostrado forte contributo para o emprego, com o número total de trabalhadores a crescer desde 2020.
A nível europeu, a economia verde cresceu de forma robusta entre 2014 e 2023, registando 2,2 milhões de novos postos de trabalho. O total de trabalhadores em atividades ambientais subiu de 3,6 para 5,8 milhões em equivalentes a tempo inteiro.
No espaço da UE, o aumento médio anual foi de 5,5%. Entre 2022 e 2023, a procura por empregos ambientais subiu 4,2%. As áreas abrangem proteção ambiental, gestão de resíduos, águas residuais e eficiência energética.
Em Portugal, o stock de empregos ambientais subiu significativamente entre 2020 e 2023. A maior parte dos postos está nas atividades de mercado, algo que refletiu um impulso para a produção nacional de bens e serviços ambientais.
Na indústria transformadora, os empregos com foco ambiental passaram de 43 mil em 2020 para mais de 52 mil em 2023. O fabrico de alimentos, bebidas e tabaco também soma empregos verdes relevantes, com mais de 1.500 postos em 2023.
As indústrias extractivas mantêm expressão residual, com pouco mais de 200 trabalhadores dedicados à sustentabilidade e proteção ambiental. Contudo, a transição para energias renováveis continua a exigir mão de obra especializada.
Renováveis em foco: o emprego ligado à energia de fontes renováveis em Portugal atingiu cerca de 21 mil pessoas em 2023, acima de 18 mil no início da década, mas abaixo do máximo de 23 mil em 2022. O PNCE 2030 perspetiva metas ambiciosas.
O PNCE 2030 pretende chegar a 51% de energias renováveis no consumo final bruto até 2030. O reforço de técnicos em solar e eólico é esperado para sustentar o ritmo de crescimento do setor.
O setor primário também evoluiu, com agricultura, produção animal, silvicultura e pesca a somarem mais de 7.300 trabalhadores com fins ambientais em 2023. Em 2020, o total nessa área era pouco superior a 5 mil.
No que diz respeito à proteção do ar e combate às alterações climáticas, Portugal assegurou mais de 5 mil profissionais no final de 2023. O conjunto de ações abrange vários setores de atividade.
Europa em crescimento
Na Europa, a construção registou o maior crescimento da década, com 124,2%. Atualmente, é a área que mais contribui para a economia ambiental do continente. A energia e o ar limpo somam um crescimento de 70%, atingindo um total de 1 milhão de trabalhadores.
O grupo dedicado à gestão de resíduos e recuperação de materiais continua a ser o maior gerador de empregos verdes na Europa, com 1,3 milhões de profissionais. A gestão de águas residuais aumentou 37%, perto de 600 mil empregos.
Em termos de value added, a produção da economia ambiental europeia atingiu 1,327 triliões de euros em 2023, com 492 mil milhões de euros de VAB. O valor quase duplicou desde 2014, ajustado pela inflação.
Apesar do desempenho positivo a longo prazo, 2023 registou uma ligeira contração do VAB da economia ambiental (-0,2%), enquanto o PIB da UE cresceu 0,4%. O setor é particularmente sensível aos custos de combustíveis fósseis.
A produtividade laboral tem apresentado sinais de queda desde 2020, com o setor de energia registando a maior redução. Em contrapartida, informação, ciência e técnica aparecem entre os mais produtivos, com maior valor acrescentado.
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