- A associação Zero alerta para a falta de uma estratégia de fixação de jovens agricultores, o que pode levar a um abandono rápido e comprometer a paisagem agroflorestal resistente a incêndios.
- No Dia Internacional das Florestas, a Zero reforça que a ausência de incentivos públicos pode comprometer o mosaico agroflorestal e a gestão do território.
- A portaria de pastoreio intensivo, de 22,5 milhões de euros, exige um número mínimo de cabeças de gado; um terço das freguesias vulneráveis fica excluído do apoio.
- Dados oficiais indicam que, entre 2020 e 2023, foram acrescentados 285 milhões de euros nos pagamentos aos agricultores nessas freguesias, mas a gestão ativa do território está a desaparecer e já desapareceram cerca de 800 mil hectares de áreas agrícolas declaradas.
- A Zero propõe apoiar a pecuária intensiva em territórios vulneráveis e fixar os últimos 2.542 pastores jovens; em 2020 existiam quatorze agricultores seniores por cada jovem, e em 2023 eram de dezoito por cada jovem.
A associação ambientalista Zero alertou, esta sexta-feira, para a falta de uma estratégia de fixação de jovens agricultores. O aviso surge a propósito do Dia Internacional das Florestas, que se celebra este sábado, e aponta para um ritmo de saída da atividade supostamente alarmante. A organização sustenta que sem incentivos públicos persiste um mosaico agroflorestal vulnerável a incêndios.
Zero afirma que o país permanece sem uma estratégia que mobilize jovens para reativar a gestão de áreas agroflorestais abandonadas. O objetivo seria também manter um serviço ambiental contratado e evitar ficar sem pessoas até ao fim da década. O Dia Internacional das Florestas visa sublinhar o papel económico e social das florestas.
Desafios na fixação de jovens agricultores
A Zero realça que, no âmbito da proteção da floresta contra incêndios, há uma portaria de pastoreio intensivo com 22,5 milhões de euros, mas que exige um número mínimo de cabeças de gado. Observa ainda que um terço das freguesias vulneráveis fica excluído do apoio.
Dados do estudo indicam que, em muitas freguesias, o pastoreio é residual ou inexistente. Em 5,6% das freguesias não existem animais e em 30% existem menos animais do que o suficiente para reduzir a carga de combustível. O programa concentra-se, assim, nos produtores que já resistem nos territórios de risco.
Impacto e perspetivas
Entre 2020 e 2023, os pagamentos aos agricultores das 1.279 freguesias vulneráveis aumentaram 285 milhões de euros (+22%), mas a gestão ativa do território tem vindo a diminuir, segundo a Zero. Em três anos, cerca de 800 mil hectares de áreas agrícolas declaradas desapareceram.
Em 2020 havia 14 agricultores seniores para cada jovem ativo nas freguesias vulneráveis. Em 2023 esse rácio subiu para 19 seniores por cada jovem. A Zero propõe novas formas de apoio para atrair jovens para a produção pecuária intensiva nesses territórios.
Contexto e contexto institucional
O setor florestal gera milhões de empregos e envolve produtos que estimulam a economia global. Além disso, as florestas fornecem água potável, regulam o clima, protegem solos e ajudam na captura de carbono, complementando setores como energia, ecoturismo e saúde.
O Dia Internacional das Florestas coincide com o Dia Mundial da Árvore. Em Portugal, a data celebra-se num momento em que a Primavera inicia-se nesta sexta-feira.
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