- Voluntários criam uma coleção de contos lidos para crianças cegas, através do projeto “Palavras que Abraçam” em parceria entre a Biblioteca Municipal de Alcântara, em Lisboa, e a associação Bengala Mágica.
- A iniciativa nasceu da ideia da escritora Maria Saraiva de Menezes e já conta com 61 pessoas a gravar leituras, resultando em cento e quinze vídeos disponíveis online.
- A maioria dos livros disponíveis em braile é limitada em Portugal; o projeto visa ampliar o acesso à leitura através de vídeos lidos por diferentes pessoas, com o foco em inclusão.
- O projeto planeia expandir para crianças surdas-mudas, em colaboração com a Associação Portuguesa de Surdos, e criar uma bolsa de recrutamento para a Língua Gestual Portuguesa.
- Qualquer pessoa pode inscrever-se para ler uma história presencialmente na Biblioteca Municipal de Alcântara ou remotamente, através do link de inscrição.
Voluntários criam coleção de contos lidos para crianças cegas, numa iniciativa chamada Palavras que Abraçam. A parceria envolve a Biblioteca Municipal de Alcântara, em Lisboa, e a associação Bengala Mágica, fundada por Dídia Lourenço após o filho Pedro ter ficado cego aos seis meses.
A projeto nasceu da experiência de Dídia: ao longo da vida, foi difícil encontrar livros acessíveis e com leitura para crianças cegas. A criadora, agora envolvida na coordenação da parceria, destaca que em Portugal a oferta de livros em braille é limitada, e que o audiolivro está ainda subutilizado.
Maria Saraiva de Menezes, escritora portuguesa, tornou-se madrinha e mentora do programa. A iniciativa partiu da leitura de Misericórdia, de Lídia Jorge, que inspirou a criação de leituras para outras idades além dos idosos. O projeto já inclui leituras presenciais e vídeos disponibilizados publicamente.
Da prática à expansão
Pedro, menino de 10 anos que frequenta o 5º ano, é um dos beneficiários e tem um conto favorito: O Macaco de Rabo Cortado, lido pela coordenadora da biblioteca, Ana Gomes dos Santos. A coleção já reúne 61 voluntários e culminou em 115 vídeos, com 15 publicados nos canais das Bibliotecas de Lisboa e da Bengala Mágica, aumentando o acesso à leitura para cegos e amblíopes.
A iniciativa é descrita como inclusiva e de alcance global: qualquer pessoa pode gravar uma história para o acervo, seja presencialmente na Biblioteca Alcântara ou remotamente. O projeto planeia ampliar para leitores surdos-mudos, em parceria com a Associação Portuguesa de Surdos, visando criar uma bolsa de recrutamento para a Língua Gestual Portuguesa.
Perspetiva futura
Os responsáveis destacam que o programa não se limita a cegos e amblíopes, mas pode interessar a qualquer criança ou pessoa que goste de ouvir histórias. A adesão tem sido significativa, com voluntários a enviar leituras regulares e o acervo a crescer de forma contínua. A iniciativa pretende manter o ritmo de produção e ampliar o alcance.
Entre na conversa da comunidade