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Cairo entre silêncio e caos: análise de uma cidade em tensão

Cairo revela-se dividido entre o silêncio do Ramadão e o caos urbano, numa cidade que muitos associam à Manhattan do deserto

O Cairo islâmico é o coração histórico da capital egípcia e um dos seus distritos mais fascinantes
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  • No primeiro dia de Ramadão, o Cairo chegou-se num passeio ermo e silencioso pela avenida Talaat Harb.
  • A sensação foi de estar num avião a viajar na direção contrária, como se o viajante tivesse aterrado em Nova Iorque.
  • O texto compara o Cairo com Manhattan, destacando uma urbanização ocidental do século XIX que influenciou várias cidades, incluindo Nova Iorque e Paris.
  • O Cairo quis ser a “Paris do Nilo”, mas, com os seus primeiros arranha-céus, acabou por ter uma alma de “Manhattan do deserto”.

O Cairo revelou-se em duas tempos no primeiro dia de Ramadão: silencioso e caótico, conforme a perspetiva muda. Ao desembarcar na avenida Talaat Harb, o cenário era de quietude, com aquela calma propia de começo de mês sagrado.

A sensação foi de deslocação a Nova Iorque, como se a cidade tivesse viajado para o deserto. O motorista deixou‑nos no centro, entre emaranhados de ruas e edifícios que parecem, ao mesmo tempo, modernos e históricos.

A cidade é apresentada como a tentativa de ser a “Paris do Nilo”. Com os primeiros arranha-céus, o Cairo acabou por ficar com uma alma que lembra a Manhattan de um descritivo urbano do século XIX, moldado pela mesma linha editorial da época.

Entre o passado recente e o desenvolvimento, o Cairo revela uma dualidade: uma urbanidade que convive com tradições religiosas, festas e a cadência do Ramadão, onde o quotidiano se reorganiza à volta da cidade.

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